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Ata mantém perspectiva de superávit de 0,50% do PIB em 2016 e de 1,3% em 2017

O Banco Central não fez nenhuma alteração no parágrafo da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que trata das perspectivas de resultado fiscal para 2016 e 2017. O colegiado manteve o tamanho do superávit primário que usa para desenhar os seus cenários.

Na ata da reunião realizada pela diretoria na última semana, assim como na de janeiro, a instituição considerou como indicador fiscal o resultado primário estrutural de um superávit primário de 0,50% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. O valor já havia sido divulgado no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), apresentado no fim de dezembro de 2015.

Segundo a instituição, no próximo ano, o governo deve fazer uma economia de 1,30% do PIB para pagar os juros da dívida, como já havia sido projetado na ata passada.

Hiato do produto

O Banco Central conta com um hiato do produto mais desinflacionário que o inicialmente previsto para este ano, de acordo com a ata do Copom da semana passada, que manteve a taxa básica de juros em 14,25% ao ano. Esta foi a principal mudança do parágrafo 32 do documento divulgado pelo BC. O trecho manteve a avaliação de que a demanda agregada continuará a se apresentar moderada no horizonte relevante para a política monetária.

De acordo com o BC, de um lado, o consumo das famílias tende a ser influenciado por fatores como emprego, renda e crédito. Já por outro, a concessão de serviços públicos e a ampliação da renda agrícola, entre outros, tendem a favorecer os investimentos. "Por sua vez, as exportações líquidas apresentam melhor resultado, seja pelo aumento das exportações, beneficiadas pela depreciação do real, seja pelo processo de substituição de importações em curso", repetiu a diretoria da instituição.

Para o Comitê, os efeitos conjugados desses elementos, o desenvolvimento nos âmbitos fiscal, parafiscal e no mercado de ativos e, neste ano, a dinâmica dos preços administrados, além da nova avaliação sobre o hiato do produto mais desinflacionário, são fatores importantes do contexto em que decisões futuras de política monetária serão tomadas. O BC também reiterou que essas decisões visam a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em 2017.

Câmbio

O Copom informou que mudou sua premissa para o câmbio de R$ 4,00 da ata anterior para R$ 3,95 para formar seu cenário de referência. No Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, a cotação usada pelo colegiado era de R$ 3,90.

Apesar da baixa, o novo valor considerado para o dólar está acima do negociado no dia em que o colegiado decidiu manter a Selic de 14,25% ao ano mais uma vez. Na quarta-feira passada, o dólar à vista fechou em baixa, a R$ 3,8909. Já a moeda para abril caiu para R$ 3,9255 no mesmo dia. A utilização de uma referência mais baixa para o câmbio vinha sendo recorrente nos documentos do Banco Central durante o período de alta da moeda americana. Desta vez, o movimento se inverteu.

O realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais - via alta do dólar - vinha sendo apontado pelo BC como um dos principais fatores de pressão para a inflação no curto prazo ao longo de todo o ano passado, ao lado do ajuste de preços administrados ou monitorados pelo governo.

Além de promover a rolagem integral dos vencimentos de contratos de swap cambial e de também rolar os prazos para leilão de linha no fim do ano passado, o BC colocou recursos novos no mercado por meio de mais swap e linha para tentar conter a volatilidade da moeda norte-americana.

Ambiente externo

Apesar deixar de dizer que as incertezas do ambiente externo "se ampliaram", ata do Copom agora considera que o ambiente externo permanece "especialmente" complexo.

O Copom, identifica, ainda, baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais. "Para o Comitê, a atividade global mostra tendência de maior moderação ao longo do horizonte relevante para a política monetária. As perspectivas recentes indicam modesta recuperação da atividade nas economias maduras, enquanto importantes economias emergentes experimentam período de transição", afirma.

Nesse contexto de redução no ritmo de atividade, o BC destaca a continuada preocupação com a economia chinesa e seus desdobramentos para outras economias.

Ainda sobre os mercados financeiros internacionais, o Copom destaca moderação na dinâmica dos preços de commodities. Sobre o petróleo, o Comitê assinala que, independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços internacionais tende a se transmitir à economia doméstica por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica.

"Deve-se ressaltar, também, o aumento das incertezas geradas pelos baixos preços do petróleo e suas implicações para empresas do setor e países produtores, bem como para os mercados financeiros em geral, com riscos para a estabilidade financeira global", destaca.