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Até o dia 19/08, gasto líquido com viagem está em US$ 520 milhões, diz Maciel

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse nesta terça-feira, 23, que em agosto, até o dia 19, o gasto líquido do Brasil com viagens ficou em US$ 520 milhões. Este número é formado por receitas de US$ 417 milhões e despesas de US$ 937 milhões. Para se ter uma ideia, nos primeiros 15 dias úteis de agosto de 2015, as receitas somaram US$ 297 milhões.

"Sem dúvida, boa parte desse incremento se deve à Olimpíada", disse o técnico em relação ao evento que se encerrou no último domingo, 21, no Rio de Janeiro. Segundo Maciel, as repercussões sobre o evento ainda serão vistas nas notas até setembro por causa das operações com cartão de crédito, que costumam ser contabilizadas mais tarde.

De acordo com o chefe de Departamento, apesar desse impacto ser estendido até o mês que vem, a maior parcela deve ser concentrada nos primeiros 15 dias de agosto. Ele avaliou que a estimativa apresentada pelo BC no mês passado, de que a Olimpíada poderia trazer um volume de US$ 200 milhões para o Brasil no trimestre de julho a setembro "segue bem". "Pode até ficar um pouco maior", considerou.

Para Maciel, o destaque da conta de serviços é mesmo o gasto com viagens. "É um ponto emblemático", resumiu. Segundo ele, a tendência de déficit de 2016 menor do que no ano passado se mantém desde o início do ano. "De janeiro a julho, a redução é de 28%. Boa parte disso é explicada pela menor demanda, com o nível de atividade menor e pelo câmbio", disse.

Fluxo cambial

Maciel também afirmou que o fluxo cambial do Brasil em agosto, até o dia 19, está positivo em US$ 629 milhões, considerando os saldos das contas comercial e financeira.

Neste período, as exportações brasileiras somam US$ 7,900 bilhões. Isso é resultado de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) de US$ 1,143 bilhão, Pagamento Antecipado de Exportação (PA) de US$ 1,737 bilhão e demais operações de US$ 5,020 bilhões. Já as importações, conforme Maciel, somam até o dia 19 de agosto US$ 6,589 bilhões. Considerando exportações e importações, o saldo comercial acumulado no mês até dia 19 é positivo em US$ 1,312 bilhão.

Na conta financeira, há remessas de US$ 25,165 bilhões e entradas de US$ 24,483 bilhões, o que gera um saldo negativo acumulado até o dia 19 de agosto de US$ 683 milhões.

Maciel informou ainda que, em 19 de agosto, a posição à vista dos bancos na área de câmbio estava vendida em US$ 28,797 bilhões.

IDP

Tulio Maciel confirmou que uma operação do setor financeiro contribuiu para a redução do resultado do Investimento Direto no País (IDP) em julho, positivo em apenas US$ 78 milhões. O Banco Central, inclusive, havia afirmado no mês passado que esperava por um resultado negativo em US$ 700 milhões no mês passado.

O Banco Central não comenta operações específicas. No fim de junho, a compra do HSBC pelo Bradesco foi oficialmente finalizada, o que pressupõe pagamentos ao exterior e pode ter justificado o IDP negativo. Para 2016, o BC estima que os investidores estrangeiros trarão US$ 70 bilhões para o setor produtivo brasileiro.

Renda fixa

Maciel informou ainda que em agosto, até o dia 19, as saídas do País pela renda fixa somaram US$ 2,171 bilhões. Em julho, houve saídas de US$ 328 milhões. Já a taxa de rolagem em agosto, até o dia 19, já chega a 202%.

De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, o bom resultado de agosto já se deve à redução do risco país do Brasil. Em julho, a taxa de rolagem total ficou em 45%.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central também informou que o investimento estrangeiro em ações brasileiras ficou negativo em US$ 692 milhões em agosto até o dia 19. Em julho, o resultado foi positivo em US$ 2,945 bilhões. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a rubrica está positiva em US$ 8,933 bilhões e a expectativa da autoridade monetária para este ano é de US$ 4 bilhões.