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Atividade da indústria química recua no 1º trimestre, diz Abiquim

A produção, as vendas internas e a demanda de produtos químicos de uso industrial seguiram em trajetória de queda no primeiro trimestre deste ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

A produção caiu 0,93% nos três primeiros meses do ano, ante igual período de 2015, enquanto as vendas internas declinaram 6,69%, na mesma base de comparação. Por sua vez, o Consumo Aparente Nacional (CAN), um indicador de demanda, teve retração de 5,5% nos primeiros três meses do ano, em relação aos meses do ano anterior. As importações também apresentaram resultados negativos, com recuo de 2,07% no mesmo período. Se excluídos os produtos do grupo intermediários para fertilizantes, as importações apresentam recuo de 13,62%.

Segundo a Abiquim, a única variável positiva em termos de volume nesses três primeiros meses é a da evolução das vendas externas, que subiu 46,3% sobre igual período do ano anterior.

Queda da taxa de ocupação

A taxa de ocupação da capacidade instalada da indústria química no Brasil ficou em 76%, na média dos primeiros três meses deste ano, três pontos abaixo daquela registrada em igual período de 2015. Considerando os padrões de produção da indústria química mundial, o ideal seria que as plantas estivessem operando entre 87% e 90%.

Na análise da diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, o baixo índice de utilização da capacidade instalada desde 2008 pode significar, no médio e no longo prazos, desestímulo a novos investimentos.

Para a diretora da Abiquim, a parte mais expressiva da retração da demanda está associada à contração da atividade econômica nacional. "Importantes cadeias de clientes da indústria química reduziram suas operações. A produção e as importações caindo simultaneamente preocupam, pois também pode estar havendo substituição da demanda de químicos por produtos importados acabados. Não tem sido fácil manter a atividade operacional com o agravamento do cenário político-econômico do País", afirma Fátima Giovanna.

A diretora de Economia e Estatística cita ainda preocupação com a manutenção do quadro de piora da atividade interna, o fechamento de empresas, o patamar elevado de juros e com as projeções negativas para o PIB, com consequente elevação do desemprego.

Longo prazo

Apesar do momento difícil, a economista lembra que não se pode deixar de pensar no longo prazo, sendo que é importante manter o foco em questões estruturais. Em sua avaliação, os pontos de maior atenção referem-se ao equacionamento da questão das matérias-primas básicas, com a adoção de uma política para o uso do gás natural como matéria-prima, o total aproveitamento dos líquidos de gás para elevação da disponibilidade de matérias-primas para o setor, uma tarifa de energia mais atrativa para a produção industrial e a solução de entraves logísticos e de infraestrutura.

Quanto às exportações, que tem sido a válvula de escape para manutenção da produção química, a Abiquim defende que o governo eleve a alíquota do Reintegra para o máximo já previsto em lei no curto prazo e que avalie a possibilidade de, inclusive, rever as taxas para patamares mais realistas.