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Atividade de construção imobiliária cai 5,1% em fevereiro, diz Tendências

O índice de atividade da construção imobiliária (IACI) voltou a registrar queda em fevereiro, após leve alta em janeiro, de acordo com o Monitor da Construção Civil (MCI), composto por um conjunto de índices elaborado em parceria entre a Tendências e a Criactive. Na comparação com janeiro, o índice recuou 5,1% em fevereiro, após alta de 0,1% no mês anterior, considerando os dados livres de efeitos sazonais. Na comparação com igual período do ano anterior, a baixa foi de 11,6% no segundo mês do ano.

A atividade da construção imobiliária segue em retração, sem perspectiva de reversão diante da trajetória negativa dos principais condicionantes do mercado imobiliário. De acordo com a economista da Tendências e especialista na construção civil, transporte e logística, Mariana Oliveira, ainda não é possível enxergar um ajuste em termos de estoque e melhoria de vendas.

"Só no momento que tivermos um ajuste mais forte de estoque, poderemos pensar em ciclo mais positivo na atividade de construção", afirmou. "Como não víamos essa melhoria de vendas e ajuste de estoques, a possibilidade de voltar a produzir e retomar a atividade, mesmo que de forma incipiente, ainda não acontece", acrescentou.

Essa perspectiva é reforçada pela queda na atividade de fundação, que é a primeira fase do processo construtivo. Na comparação mensal, a fundação teve baixa de 13,8% em fevereiro, enquanto a queda na base mensal chegou a 29%. "Como resultado, a atividade nas próximas fases da construção, de estrutura e acabamento, deve ficar comprometida", explicou a especialista.

Olhando a atividade num intervalo futuro mais amplo, a Monitor mostrou elevações marginais em lançamentos nos últimos três meses de 2015, embora a retração no acumulado do ano passado tenha chegado a 33,8%.

"Temos de olhar com cautela a alta registrada nos últimos meses do ano e verificar se há tendência de elevação consistente. Como não vimos ajuste grande de estoque, os lançamentos podem ser pontuais", afirmou. Além disso, diante do cenário econômico adverso, essas iniciativas podem não virar obras.

Caso os lançamentos se concretizem em obras, o impacto na atividade deve ser sentido em 2017, uma vez que o ciclo imobiliário conta com um intervalo entre lançamento e início das obras.

O IACI mede a área em construção (em fase de fundação, estrutura ou acabamento) de obras imobiliárias residenciais, comerciais, de turismo e outros, com abrangência nacional. Ao detalhar o IACI por tipo de obra, houve queda nos três principais segmentos.

Em residencial, a atividade registrou baixa de 5,2% em fevereiro ante janeiro e queda de 10,9% na comparação anual. O segmento de imóveis comerciais registrou queda mensal de 4,2% e anual de 13,1%, enquanto a atividade de imóveis voltados para turismo registrou retração de 1,3% no mês e 17,4% no ano.

"Todos os segmentos caíram bastante. O residencial teve uma queda mais significativa, mas isso pode ser efeito da base maior de comparação, pois no mês anterior foi o segmento que puxou a atividade geral para cima", afirmou a especialista. "A tendência é que turismo mostre arrefecimento mais forte, uma vez que mostra lançamentos mais fracos. A atividade da construção no segmento teve resistência, por causa de Copa do Mundo e Olimpíada, nas agora o ciclo se encerrou, o que deve gerar uma acomodação maior", acrescentou.