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BC diz que já é possível observar alguma acomodação na dinâmica da confiança

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Altamir Lopes, afirmou nesta quinta-feira, 31, que já é possível observar uma acomodação nos níveis de confiança de setores como indústria, comércio e serviços, ainda que a estabilização se dê em patamar muito baixo. "Retomada da confiança é fator fundamental para retomada da atividade, que pode, por outro lado, se beneficiar desse cenário externo mais competitivo", avaliou. Ele ponderou que essa estabilização não está ocorrendo com a construção civil, que continua com confiança em queda.

De acordo com Lopes, o setor agrícola vai se beneficiar do cenário de câmbio depreciado, tendo produtividade mais elevada, também se beneficiando do custo unitário do trabalho e da maior competitividade. "Queda do custo do trabalho em dólar vai favorecer o investimento à frente", disse, ao comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado hoje pelo BC.

Sobre a substituição de importação de bens de capital, o diretor ressaltou que é processo mais demorado e vai depender da retomada do investimento como um todo.

Mercado de trabalho

O diretor de Política Econômica do Banco Central avaliou que depois de longo período de mercado de trabalho pressionado, esse marcado passa por uma "descompressão" significativa, com redução da população ocupada. "O desemprego entre os jovens vem subindo muito. Antes os jovens estavam se dedicando ao estudo ou sem buscar trabalho, mas, com a redução da renda real, esse contingente de jovens voltou ao mercado de trabalho com o objetivo de complementar o rendimento familiar. Isso também pressiona a taxa de desemprego", disse.

Apesar da distensão, ponderou o diretor, a taxa de desemprego de 8% estaria ainda em um patamar baixo em relação a períodos críticos anteriores, mesmo sendo crescente. "Por outro lado, o reajuste nominal de 8,8% nos salários ainda é bastante elevado", completou.

Crédito

Para Lopes, o crédito às empresas está bastante contido e crescendo de maneira moderada. Ele citou que o ritmo de concessões do BNDES girava em torno de uma expansão 45% ate 2013 e agora apresenta uma queda de 23,8%.

"No entanto, o patamar de crédito no País hoje é bem mais elevado. O crédito hoje representa mais de 50% do Produto Interno Bruto, o que é um patamar muito mais elevado do que o que havia em crises anteriores", afirmou.

Lopes citou ainda que a demanda também tem apresentado moderação bastante forte, citando as quedas de 4% no consumo das famílias e de 1% no consumo do governo em 2015.

"A confiança dos consumidores é bastante baixa, com alguma tendência de estabilização na margem, mas nem se pode chamar de tendência, é um ou outro ponto. Essa confiança moderada reflete ajustes gerais da economia brasileira", completou.

Ajustes

O diretor de Política Econômica do Banco Central avaliou que os ajustes na economia continuam em andamento, alguns deles já com resultados palpáveis, outros nem tanto. Segundo ele, os ajuste de maneira geral têm custos que são sentidos de pronto, mas os seus benefícios vêm somente mais adiante.

"O sacrifício para a sociedade por força dos ajustes já aconteceu ou está acontecendo, mas temos que perseverar nos ajustes para colher benefícios que virão na sequência", afirmou o diretor.

Para Lopes, o ajuste monetário foi intenso e significativo e a tendência sobre a área monetária é marcadamente desinflacionária. "Estamos começando a colher bons resultados. Temos uma desinflação contratada muito grande para este ano e para o próximo", acrescentou.

De acordo com o diretor, o ajuste do setor externo também já é uma realidade, embora ainda está em curso. Por outro lado, ponderou, na área fiscal ainda há muito a se ajustar. "Temos que tentar contornar o quadro deficitário para a área fiscal", completou.