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BC reduz projeção de alta do saldo total do crédito em 2016, de 5% para 1%

Com a economia em recessão, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, revisou para baixo todas as estimativas da instituição para o crédito no Brasil em 2016. A nova previsão para a expansão desse mercado este ano é de 1%, ante 5% na projeção apresentada em março. Em dezembro, a expectativa estava em 7%.

A nova previsão indica que o mercado de crédito deve continuar retraindo ao longo do ano, já que em 12 meses encerrados em maio, mostra uma alta de 2,0%.

No caso de financiamentos com recursos livres, a nova previsão da autoridade monetária para 2016 passou de uma alta de 2% para uma retração de 1%. De acordo com Maciel, um recuo anual nunca foi registrado, pelo menos na nova série histórica, iniciada em 2000. Mesmo em 2009, ano com reflexos da crise econômica internacional, esse dado foi positivo. Em 12 meses, já há recuo de 0,2%.

No crédito direcionado, a projeção foi revisada de 7% para 3%. Em 12 meses até maio, a alta de empréstimos com recursos direcionados está em 4,4%.

Maciel apresentou ainda uma previsão menor para o mercado de crédito este ano na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB). No lugar da taxa de 54%, agora a expectativa é de 52%.

Brexit

De acordo com Maciel, as projeções já levam todas as informações disponíveis, como a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, o chamado "Brexit". Ele voltou a dizer que o Sistema Financeiro Nacional é resistente. "O mercado financeiro se encontra com fundamentos muito sólidos em termos de indicadores de liquidez, capital, provisionamento e isso contribui para enfrentar os momentos de incertezas", disse.

Bancos privados

A oferta de crédito pelos bancos privados nacionais em 2016 ficará 4% menor do que a do ano passado, segundo estimativa apresentada pelo Banco Central. A projeção anterior, apresentada em março, era de um recuo de 1%. Em 12 meses encerrados em maio, a baixa já está em 3,2% nesse segmento.

Para o BC, os bancos estrangeiros ainda terão crescimento este ano, mas bem menor, de 1% ante 4% da projeção anterior. No acumulado de 12 meses, essas instituições apresentam alta de 0,6%. De abril para maio, os bancos estrangeiros registraram alta de 0,2%, para R$ 450 bilhões.

Os bancos públicos, de acordo com ele, continuarão a puxar o segmento, mas em ritmo mais baixo. A nova expectativa é de alta de 4% em 2016, contra previsão anterior de 8%. Em 12 meses, a alta está em 5,3%. Em maio, o estoque de crédito fornecido por essas instituições avançou 0,4%, ao atingirem um saldo de R$ 1,784 trilhão. Nos bancos privados nacionais, houve recuo de 0,3% na margem, para R$ 910,983 bilhões.