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BC vê continuidade da desaceleração do crédito no mês de agosto

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, avalia que os números do mercado de crédito apresentados na manhã desta quarta-feira, 28, confirmam a continuidade da tendência de desaceleração dos empréstimos no Brasil. A atividade econômica em contração, os custos elevados e a confiança explicam a tendência vista há vários meses seguidos.

"Observamos continuidade da desaceleração no mês de agosto. O crédito em 12 meses chegou a crescer 0,2% em julho, mas voltou a cair 0,6% em agosto. Isso mostra continuidade no processo", disse. Para Maciel, a queda da atividade econômica, a elevação dos juros cobrados nos empréstimos e a confiança ainda baixa explicam essa estagnação do mercado de crédito.

Maciel reconhece que os indicadores de confiança têm mostrado reação recente, mas ainda continuam em patamar bastante baixo. "Tudo isso ajuda a explicar o mercado", comentou.

Empresas

Durante coletiva entrevista coletiva à imprensa para apresentação dos dados da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central destacou o declínio do estoque de crédito para empresas. Segundo ele, isso vem se "intensificando" ao longo dos meses.

Os dados divulgados nesta quarta pelo Banco Central mostram que, de julho para agosto, o estoque de crédito para pessoa jurídica recuou 0,6%, considerando recursos livres e direcionados. No ano, a baixa é de 7,7% e, no acumulado de 12 meses até agosto, de 4,8%.

Um dos principais fatores de recuo do crédito para empresas, de acordo com Maciel, é a linha de capital de giro. Considerando os recursos livres, o saldo das operações de capital de giro caiu 1,6%de julho para agosto e recuou 10,3% no ano. Em 12 meses, o recuo é de 11,0%.

Maciel afirmou ainda que, no caso do crédito às famílias, há relativa estabilidade, na margem. Ele também citou um comportamento de relativa estabilidade no comportamento da inadimplência.

Projeções

O Banco Central alterou nesta quarta suas projeções para uma série de indicadores de crédito para este ano. A expectativa para o saldo total de crédito em 2016 passou de avanço de 1% para retração de 2%. Em 2015, houve avanço de 6,7%.

No caso específico do crédito livre, a projeção para este ano mudou de baixa de 1% para recuo de 5%. No ano passado, a alta foi de 3,9%. No crédito direcionado, a perspectiva do BC também piorou e a projeção de alta de 3% em 2016 deu lugar a uma estimativa de avanço de 1% (+9,8% em 2015).

Considerando a relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, a projeção do BC mudou de 52% para 51%. No ano passado, o porcentual ficou em 54,5%.