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BC vê melhora na economia, mas ainda não vê espaço para baixar juros

A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira, 26, informa que todos os membros do colegiado "reconheceram progressos em relação às perspectivas de desinflação da economia brasileira". No entanto, eles "demonstraram preocupação com medidas de expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus acima da meta para 2017". Esta é a primeira ata divulgada após um encontro do Copom sob a presidência de Ilan Goldfajn no Banco Central.

Os membros do Copom citaram no documento preocupações com "projeções do comitê para a inflação que se situam acima da meta em horizontes de 18 ou mais meses, sob as hipóteses do cenário de mercado". O cenário de mercado utiliza as trajetórias para Selic (a taxa básica de juros) e para a taxa de câmbio que constam da pesquisa realizada pelo Banco Central com analistas independentes.

Os diretores do Banco Central também citaram, no documento, considerando horizontes mais próximos, o aumento recente dos preços dos alimentos e a discrepância "de aproximadamente 0,5 p.p. entre as expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus e as projeções produzidas pelo Copom para o ano corrente".

"Em horizontes mais longos, os membros do Comitê debateram os impactos do nível de ociosidade na economia e da inflação corrente ainda elevada", informou a ata, chamando a atenção para o setor de serviços. "Em particular, destacaram as possíveis implicações dessa conjuntura para a sensibilidade da inflação, principalmente dos preços de serviços, ao nível de ociosidade da economia e para a dinâmica da inflação, notadamente o seu componente inercial." O documento afirma ainda que, diante da desaceleração da economia brasileira, "esperava-se uma queda maior da inflação".

No entanto, alguns membros chamaram a atenção, de acordo com a ata, para "a desinflação de serviços já observada". "Alguns membros do Comitê esperam que os efeitos desinflacionários do nível de ociosidade na economia ainda possam vir a se manifestar de maneira mais intensa", informou o documento.

Selic

Assim como constou no comunicado após a decisão do Copom na semana passada, a ata do encontro deixa claro que ainda não há espaço para corte da Selic, a taxa básica de juros da economia. No penúltimo parágrafo da ata, que trouxe um novo formato, o colegiado conclui que, "tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária".