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Bens duráveis têm a maior queda em seis anos

As vendas de bens duráveis para o consumidor tiveram no primeiro trimestre deste ano a maior retração desde 2010, quando a consultoria GFK começou a monitorar a receita das lojas em todo o País. Entre janeiro e março, o varejo de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, telefones fixos e móveis, itens de informática e de fotografia faturou R$ 23,9 bilhões, uma cifra 10% menor em relação aos mesmos meses de 2015.

As maiores quedas na receita dos varejistas, na casa de dois dígitos, ocorreram nos segmentos de foto (-52,9%), informática (-25,6%) e linha branca (-12%), que reúne fogões geladeiras e lavadoras. Os destaques negativos por produto foram os telefones celulares com preço abaixo de R$ 450, cujas vendas caíram 75% no período; desktops (-39,3%); fritadeiras elétricas (-20,3%) e refrigeradores (-16,7%).

A queda na renda e no emprego e a menor disposição para assumir financiamentos explicam, segundo especialistas, a queda nas vendas ao consumidor final. Mas o baque na comercialização durante o primeiro trimestre foi mais acentuado na indústria porque as lojas ainda tinham estoques e reduziram drasticamente o volume de compras, temendo o encalhe.

No caso das TVs, um ícone do setor, as quantidades de aparelhos vendidos das fábricas para as lojas caíram 40% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo trimestre de 2015, segundo dados da Eletros, associação que reúne a indústria de eletroeletrônicos. Foram cerca de 1,2 milhão televisores a menos comercializados entre janeiro e março na comparação com o ano anterior.

Segundo os fabricantes, o primeiro trimestre também foi ruim para as vendas de eletroportáteis, que registraram queda de 28% nas quantidades das indústrias para o varejo e um recuo de 18% na linha branca, nas mesmas bases de comparação.

Apesar de ainda não ter dados consolidados, Lourival Kiçula, presidente da Eletros, diz que as vendas da indústria neste trimestre estão menos negativas do que no primeiro trimestre deste ano na comparação anual. "Existe mais confiança por parte dos empresários", afirma o presidente da Eletros.

Em reunião realizada nesta terça-feira, 28, na sede da entidade, os empresários da indústria sinalizaram que acreditam numa recuperação no segundo semestre, mas sem euforia, observa Kiçula. "Batemos no fundo do poço e, por questões de sazonalidade, o segundo semestre é sempre melhor", argumenta. Segundo ele, as empresas do setor estacaram as demissões e podem até admitir temporários no segundo semestre por conta da produção de final de ano.

Comércio

Ainda com sinais tênues, o movimento do varejo acumulado até maio confirma que o pior momento das vendas teria ficado para trás para os bens duráveis. Dados da Boa Vista SCPC, empresa que monitora as consultas para vendas à vista e a prazo, mostram que em 12 meses até maio, o movimento do comércio acumula queda 5,1%. Em 12 meses até abril, o recuo era de 5%. Entre os cinco segmentos pesquisados, móveis e eletrodomésticos teve o desempenho menos negativo em 12 meses até maio comparado com o de abril. Em 12 meses até maio, a queda foi de 7,7% e até abril era de 7,9%.

Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC, diz que é difícil dizer que há uma recuperação. Ele observa que a demanda por crédito continua caindo, os juros estão altos e a inadimplência continua subindo. De toda forma, o economista admite que há uma mudança nas expectativas, mas pondera que ainda levará algum tempo para que a maior confiança se traduza em vendas. "A venda depende de preço, emprego e renda e o fator decisivo para a virada é a retomada do mercado de trabalho. A expectativa é que o emprego pare de piorar no final do ano."