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Bolsa de Nova York se descola dos preços do petróleo e fecha em alta

As bolsas dos EUA fecharam em alta nesta terça-feira, 16, volta do fim de semana prolongado, com os principais índices encerrando a sessão nas máximas do dia. A alta foi liderada por ações que haviam caído mais desde o começo do ano. O S&P-500 acumula nas últimas duas sessões uma alta de 3,6%, no maior rali de dois dias desde 27 de agosto do ano passado.

O mercado de ações se descolou dos preços do petróleo, que caíram apesar de Rússia e Arábia Saudita, os dois maiores produtores mundiais, terem anunciado que vão congelar sua produção nos níveis de janeiro; a Venezuela, o Kuwait e o Qatar também concordaram em não aumentar sua produção, mas o Irã reiterou que pretende aumentar a sua até que o país recupere a fatia de mercado que tinha antes da imposição de sanções econômicas pelos EUA e seus aliados; o Iraque, também um dos maiores produtores, não se manifestou.

O acordo não foi suficiente para dar sustentação aos preços. "Como os níveis de produção de janeiro foram recordes tanto para a Arábia Saudita como para a Rússia, a promessa ficou aquém das esperanças de um acordo para reduzir a produção", comentou o estrategista Marc Chandler, da Brown Brothers Harriman.

Apenas dois indicadores foram divulgados nos EUA: o índice de atividade industrial regional Empire State, do Fed de Nova York, subiu para -16,64 em fevereiro, de -19,37 em janeiro, no sétimo mês consecutivo de contração na atividade; economistas previam uma melhora mais significativa, para -10,0. O índice de confiança da Associação Nacional das Construtoras de Casas (NAHB) caiu a 58 em fevereiro, abaixo da expectativa, que era de 60; o índice de janeiro foi revisado de 60 para 61.

O estrategista David Lefkowitz, da UBS Wealth Management, disse que "no começo deste ano houve uma migração rápida para setores menos arriscados do mercado. Esse movimento provavelmente foi exagerado, se comparado aos fundamentos econômicos".

Na segunda-feira, 15, quando o mercado norte-americano esteve fechado por causa de um feriado, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que a instituição "não hesitará" em aumentar seu programa de estímulo à economia na reunião de março, caso acredite que a turbulência recente nos mercados e os preços baixos do petróleo estejam impedindo que a inflação na zona do euro suba em direção à meta de pouco menos de 2%. A declaração aliviou as preocupações dos investidores de que uma crise financeira parecida com a de 2008 estivesse se aproximando.

Hoje pela manhã, o presidente do Fed de Filadélfia, Patrick Harker, disse que a inflação baixa e os riscos maiores diante da perspectiva da economia são um argumento para que o Fed demore mais para voltar a elevar as taxas de juro de curto prazo. Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, também discursou hoje, mas falou principalmente sobre regulamentação bancária; ele disse que os dirigentes do Fed não acreditam que será necessário recorrer a taxas de juro negativas para estimular a economia norte-americana.

Todos os dez componentes setoriais do S&P-500 subiram, inclusive o de energia, que esteve em baixa durante a manhã e chegou ao fim da sessão em alta de 0,80%. Os que mais avançaram foram os de bens de consumo não essenciais (+2,47%), indústrias (+2,01%) e tecnologia (+1,89%); o do setor financeiro subiu 1,76%.

No setor de tecnologia, as ações da Groupon subiram 41,18%, depois de a chinesa Alibaba informar que agora controla 5,4% da empresa; os ADRs da Alibaba subiram 8,87%, e as ações da Yahoo, uma das maiores acionista da companhia chinesa, avançaram 8,28%.

O bom desempenho das ações do setor financeiro foi atribuído a avaliações de analistas de que a recente turbulência dos mercados não representava, como muitos participantes do mercado temiam, precursora de um evento comparável à crise de 2008. Em nota, os analistas do Goldman Sachs disseram que "não há nada a temer senão o próprio medo" e os do Morgan Stanley descreveram as quedas recentes de setores que haviam apresentado lucros relativamente fortes no último trimestre como um "mundo bizarro".

Das 30 componentes do índice Dow Jones, apenas duas ações fecharam em baixa (Walmart, -0,42%, e Travelers Cos., -0,11%). Entre os destaques positivos estavam Boeing (+3,65%), Caterpillar (+3,26%), UnitedHealth (+2,98%), Cisco Systems (+2,91%) e Apple (+2,82%). No setor de energia, as ações da Chevron subiram 0,53% e as da ExxonMobil avançaram 0,23%.

Entre os destaques da sessão estavam as ações da ADT Corp., do setor de segurança residencial; elas subiram 47,53%, depois do anúncio de um acordo para a aquisição da companhia pela Apollo Global Asset Management por US$ 15 bilhões. As ações da Restaurant Brands, controladora das redes Burger King e Tim Hortons, subiram 5,65%, em reação a seu informe de resultados.

Hoje à noite saem os dados da inflação na China em janeiro. Nos EUA, o calendário econômico ganha importância nesta quarta-feira com a divulgação da ata da última reunião do Fed e dos indicadores de preços ao produtor (PPI), novas construções de moradias e produção industrial em janeiro.

O índice Dow Jones fechou em alta de 222,57 pontos (1,39%), em 16.196,41 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 98,45 pontos (2,27%), em 4.435,96 pontos. O S&P-500 fechou em alta de 30,80 pontos (1,65%), em 1.895,58 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires