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Bolsas de NY caem com temores sobre economia, bancos e política monetária


As Bolsas dos EUA fecharam em queda nesta quinta-feira, 11, com os índices Dow Jones e S&P-500 registrando a quinta sessão consecutiva de baixas. O Dow fechou no nível mais baixo desde 25 de agosto do ano passado e o S&P-500, no nível mais baixo desde 11 de abril de 2014.

Durante a sessão, o Dow chegou a cair 411 pontos (2,59%) e o Nasdaq a perder 73 pontos (1,72%); a mínima do S&P-500 foi em 1.810,10 pontos, com queda de 41 pontos (2,26%), abaixo da mínima intraday de 20 de janeiro, de 1.812,29 pontos, considerada por analistas como um nível de suporte significativo.

Traders disseram que as Bolsas dos EUA acompanharam as quedas de outros mercados globais de ações (Hong Kong -3,85%, Londres -2,39%, Frankfurt -2,93%), dos preços do petróleo e de outras commodities, em meio às preocupações sobre a perspectiva da economia global, sobre a saúde dos bancos e sobre a divergência entre as trajetórias das políticas monetárias dos principais bancos centrais. Nesta quinta, o Riksbank (banco central da Suécia) reduziu sua taxa básica de juros de -0,35% para -0,50% e, enquanto os BCs da zona do euro e do Japão também estão negativas, o Federal Reserve elevou a taxa dos Fed Funds em dezembro.

A incerteza sobre a perspectiva da política monetária do Fed não foi aliviada hoje, segundo dia dos depoimentos semestrais de Janet Yellen, a presidente da instituição, no Congresso. Se ontem ela havia dito que o Fed não descarta a possibilidade de elevar novamente as taxas de juro nas próximas reuniões, nesta quinta ela disse que taxas de juro negativas também são uma alternativa que os dirigentes do Fed estão examinando - caso seja necessário adotar novas medidas de estímulo à economia.

"Embora ela tenha aludido ao fato de que o aperto das condições financeiras poderá ter impacto no que o Fed vai fazer, ela também deixou claro que é cedo demais, tendo em vista o vigor do mercado de mão de obra, para pensar que o Fed não vai apertar mais a política monetária", afirmou Krishna Memani, da Oppenheimer Funds.

Ele disse não acreditar que os EUA estejam à beira de uma recessão, mas mostrou a preocupação de que o Fed eleve novamente as taxas de juro por causa dos sinais de inflação dos salários. "Isso seria um problema maior para o mercado", acrescentou.

Na Chicago Mercantile Exchange (CME), os contratos futuros de Fed Funds projetavam hoje uma probabilidade de apenas 5,1% de que o Fed eleve a taxa dos Fed Funds para 0,75% na reunião de 21 de dezembro; a probabilidade de ela ser mantida no nível atual na última reunião do ano é de 97,8%.

"O clima é de um pouco mais de pânico, mas o sentimento é de que teremos que cair mais, até que possamos eliminar todo esse pessimismo", disse Ryan Larson, chefe de operações com ações da RBC Global Asset Management.

O volume de negócios, embora elevado, não alcançou os níveis de agosto do ano passado, quando os mercados tiveram quedas fortes depois da desvalorização do yuan chinês. A média diária deste ano está em 9,2 bilhões de ações negociadas; o maior volume do ano, de 12,4 bilhões de ações negociadas, foi em 20 de janeiro. Em 24 de agosto de 2015, quando o Dow caiu mais de 1.000 pontos nos primeiros minutos da sessão, mais de 13,9 bilhões foram negociadas.

Na Europa, o índice setorial de ações do setor bancário caiu 6,3%, acumulando uma perda de 29% desde o começo do ano. Nos EUA, o prêmio de risco dos bônus de bancos com ratings elevados em relação aos títulos do Tesouro dos EUA subiu a 1,72 ponto porcentual, com uma alta acumulada de 16% desde o fim de janeiro, quando o prêmio de risco estava em 1,48 ponto-base, de acordo com dados do Barclays. Na Bolsa de Paris, as ações do Société Générale, que divulgou resultados do quarto trimestre, caíram 12,57%.

Bo Christensen, analista-chefe da Danske Invest, disse que os investidores agora temem que as preocupações com o crescimento econômico, com os mercados emergentes, com os preços do petróleo e com a qualidade de crédito das empresas dos setores de energia e commodities possam se transformar em uma crise bancária sistêmica. Ele ressalvou que não acredita nessa possibilidade e que "é só uma sucessão de más notícias chegando num momento em que os mercados estão muito nervosos".

A queda das ações desacelerou no fim da tarde, depois de a agência Dow Jones noticiar que o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail bin Mohammed al-Mazrouei, disse que os países membros da Opep estão prontos a cooperar em um corte de produção, com a ressalva de que os preços atuais já estão forçando produtores que não são membros do cartel a pelo menos não aumentar sua produção.

Embora os índices de ações e os preços do petróleo tenham recuperado terreno logo depois da divulgação dessas declarações, traders colocaram em dúvida a credibilidade delas. "Eles ainda estão produzindo. Até que realmente aconteça uma reunião entre a Opep e os outros produtores e que eles realmente decidam reduzir a produção, eu diria que isso é mais especulação, como a que vimos na semana passada e na semana anterior", comentou Tariq Zahir, da Tyche Capital Advisors.

Todos os dez componentes setoriais do S&P-500 fecharam em queda, com destaque para o do setor financeiro (-2,96%), o de materiais (-2,17%) e o de indústrias (-2,00%); o de energia recuou 0,42%.

Das 30 componentes do Dow, as únicas altas foram Cisco Systems (+9,64%, após a divulgação de seu balanço), Disney (+1,64%) e ExxonMobil (+0,32%). O destaque negativo foi Boeing, com queda de 6,81%, em reação à notícia de que as práticas contábeis da empresa estão sendo investigadas. No setor financeiro, as ações do Goldman Sachs caíram 4,44%, as do JPMorgan Chase recuaram 4,41% e as da Visa perderam 2,39%.

Entre as ações de empresas que divulgaram balanços, outros destaques foram Twitter (-4,47%), Avon (-19,08%), Bunge (-18,21%), Kellogg (+3,99%), Tesla Motors (+4,73%), Molson Coors (-0,65%), PepsiCo (-0,74%), Thomson Reuters (-2,81%), Time Inc. (-8,62%) e TripAdvisor (+12,36%).

O índice Dow Jones fechou em queda de 254,56 pontos (1,60%), em 15.660,18 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 16,75 pontos (0,39%), em 4.266,84 pontos. O S&P-500 encerrou em queda de 22,78 pontos (1,23%), em 1.829,08 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires.