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Bolsas de NY divergem após Yellen manter mercado na incerteza sobre juros


As bolsas dos EUA fecharam nesta quarta-feira, 10, com os principais índices em direções divergentes - o Dow Jones em queda, o Nasdaq em alta e o S&P-500 praticamente no mesmo nível de ontem. Com isso, o Dow acumula quatro sessões consecutivas de quedas, na maior sequência de perdas desde o período de 18 a 25 de agosto do ano passado; o S&P-500 igualou sua maior sequência de baixas desde o período de 4 a 9 de novembro de 2015.

O mercado abriu em alta e o Dow chegou a subir 187 pontos (1,17%), o Nasdaq a avançar 100 pontos (2,36%) e o S&P-500 a ganhar 29 pontos (1,59%), em dia de recuperação das bolsas europeias, onde as ações dos bancos subiram, recuperando terreno depois de dois dias de quedas fortes, em meio a preocupações quanto à exposição dos bancos europeus à dívida das empresas do setor de petróleo, taxas de juro negativas na zona do euro e no Japão e desaceleração do crescimento da economia global; as ações do Deutsche Bank subiram 10,20% em Frankfurt. O iene teve altas fortes diante do dólar e do euro, depois de a bolsa de Tóquio cair 2,31%.

A reversão aconteceu durante o depoimento da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Janet Yellen, no Comitê de Finanças da Câmara, acompanhado pela entrega ao Congresso do relatório semestral do Fed sobre política monetária.

Em seu depoimento, Yellen destacou os riscos diante da perspectiva de crescimento do PIB dos EUA trazidos pela turbulência dos mercados globais, pela queda persistente dos preços do petróleo e pela debilidade de outras economias. Também afirmou que esses fatores poderão levar o Fed a adiar seu plano de voltar a elevar as taxas de juro de curto prazo neste ano, mas deixou aberta a possibilidade de apertar a política a qualquer momento, caso os indicadores surpreendam positivamente.

Kelly Bogdanov, vice-presidente e analista do RBC Wealth Management, disse que "Yellen tinha que ser 'dovish' o suficiente para não assustar o mercado, mas 'hawkish' o suficiente para sinalizar que a economia ainda está crescendo e que ela conseguiu isso. Em algum momento, Yellen terá de reduzir o abismo entre o que o mercado espera que acontecerá - nenhuma elevação das taxas de juro neste ano - e o plano declarado do Fed de normalizar as taxas de juro, Mas ela não precisará fazer isso em março; ainda há tempo e muitos indicadores a sair que poderão mudar aquela expectativa".

Yellen volta ao Congresso dos EUA nesta quinta-feira, para prestar o mesmo depoimento ao Comitê Bancário do Senado.

Dos dez componentes setoriais do S&P-500, apenas dois fecharam em alta, o de serviços de saúde (+0,92%) e o de tecnologia (+0,36%); os que mais caíram foram os de materiais (-0,97%) e de energia (-0,50%). Entre as componentes do Dow, o destaque negativo foi Disney, com queda de 3,76% em reação a seu informe de resultados; as ações da IBM recuaram 3,13% e as da Caterpillar caíram 2,80%. As que mais subiram foram Nike (+3,13%) e Visa (+2,87%).

Entre as empresas que divulgaram resultados, outros destaques foram Time Warner (-4,97%) e SolarCity (-29,30%). Entre as ações de empresas que divulgariam balanços depois do fechamento, os destaques foram Prudential Financial (+0,74%), Cisco Systems (-0,62%), Twitter (+4,03%), Tesla Motors (-3,09%), Whole Foods Markets (-0,65%) e Expedia (+1,85%).

O índice Dow Jones fechou em queda de 99,64 pontos (0,62%), em 15.914,74 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 14,83 pontos (0,35%), em 4.283,59 pontos. O S&P-500 fechou em baixa de 0,35 ponto (0,02%), em 1.851,86 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires