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Bovespa abre em queda pressionada por cenário político e maior aversão ao risco

O índice da Bolsa de Valores de São Paulo abriu esta quarta-feira, 23, em queda, pressionado pela decisão do ministro Teori Zavascki de determinar que o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, envie ao Supremo Tribunal Federal (STF) os processos que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além da pressão do noticiário político, o Ibovespa também reflete a valorização de mais de 17% registrada desde o início do mês, e por isso opera em queda. Às 10h45, o Ibovespa era cotado a 51.004 pontos, em retração de 1,67% sobre o fechamento de ontem.

A queda do indicador é sustentada pelo desempenho negativo das ações preferenciais (-3,33%) e ordinárias (-2,96%) da Petrobras, além da queda nas ações preferenciais (-2,04%) e ordinárias (-1,30%) da Vale. As ações de bancos também enfrentam desvalorização, reflexo da cautela dos investidores em relação ao mercado acionário brasileiro.

Além da aversão ao risco, representada nas ações das blue chips, o mercado também digere a queda de 1% no mercado à vista chinês, para US$ 57,3 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index. O petróleo também opera em queda no fim desta manhã em Nova York. Com a abertura do mercado nos EUA, a Bolsa brasileira ampliou a queda.

Em relação à Petrobras, a coluna "Lex", uma das prestigiosas seções do jornal britânico "Financial Times", destaca que ainda é muito cedo para voltar a comprar as ações da Petrobras. A publicação reconhece, contudo, que os números apresentados pela companhia nesta semana trazem "algum sinal de esperança", com destaque para o aumento da eficiência operacional. Por outro lado, a publicação nota que os problemas como o grande endividamento ainda impedem otimismo com a Petrobras.

No front político, o mercado analisa as consequências da decisão do ministro Teori Zavascki, considerada favorável ao Planalto. A decisão do executivo Marcelo Odebrecht de fazer delação premiada, por outro lado, pode pressionar o governo. Outra informação considerada negativa para a presidente Dilma Rousseff é a manutenção, para a próxima terça-feira, do encontro no qual o PMDB decidirá se irá romper ou não com o governo.

"O mercado gostaria de ver o Lula ser julgado pelo Sérgio Moro, então o Teori Zavascki acabou jogando um balde de água fria. Também tem na Bolsa um fator técnico que deve trazer um pouco de realização hoje. Os bancos, inclusive, já iniciaram esse movimento ontem", disse um operador de renda variável.