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Bovespa passa por realização com exterior fraco e preocupação com fiscal

Depois de fechar em cima do muro nos últimos três pregões, a Bovespa finalmente definiu uma tendência, e foi de queda. O movimento de realização de lucros que colocou o índice à vista abaixo do patamar dos 57 mil pontos nesta quarta-feira, 10, teve como gatilho a piora dos mercados acionários internacionais, em mais um dia de fraqueza do petróleo.

Internamente, pegou mal a aprovação na Câmara do projeto de renegociação da dívida dos Estados sem o trecho que proibia a concessão de aumentos acima da inflação a servidores estaduais por dois anos. Isso porque o ponto era considerado "inegociável" pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

A derrota da equipe econômica trouxe preocupações em relação a eventuais novas concessões em pontos importantes para o ajuste fiscal e acabou ofuscando a decisão do Senado de ontem à noite - que tornou Dilma Rousseff ré no processo de impeachment, abrindo caminho para que a petista seja julgada por crime de responsabilidade.

O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira em queda de 1,33%, aos 56.919,77 pontos, não muito distante da mínima do dia, quando foi aos 56.735 pontos (-1,65%). Mais cedo, antes do início dos negócios em Wall Street, o índice à vista chegou a subir e bater máxima aos 57.953 pontos (+0,46%), mas não resistiu à entrada dos investidores estrangeiros a partir das 10h30 executando ordens de venda na Bolsa brasileira.

O giro financeiro somou R$ 6,40 bilhões. No mês de agosto, a Bovespa acumula perdas de 0,68%, enquanto no ano registra valorização de 31,31%.

"A Bovespa acabou realizando um pouco hoje mais por conta do exterior, com o petróleo e o minério de ferro em queda. Por aqui, teve um certo mal estar em relação à Câmara, que aprovou o projeto de renegociação da dívida dos Estados, mas tirou a parte que proíbe aumento dos servidores acima da inflação. Foi uma vitória no Senado (em relação à continuidade do processo de impeachment), mas uma derrota na Câmara", resumiu um operador de renda variável.

"Foi uma derrota para o Meirelles, mas nada que tenha sido determinante para uma queda maior da Bolsa hoje", ponderou o profissional, reforçando que os investidores internacionais e locais estiveram mais equilibrados na ponta vendedora.

As ações da Petrobras terminaram em queda de 3,80% (ON) e 2,69% (PN), na esteira da desvalorização de quase 3,0% do petróleo no mercado internacional. O sinal negativo dos contratos futuros da commodity foram determinados principalmente pelo avanço nos estoques de petróleo, conforme mostrou relatório do Departamento de Energia (DoE) no fim da manhã. Os estoques de gasolina e destilados, por sua vez, foram reduzidos.

Já os papéis da Vale recuaram 4,74% (ON) e 3,69 (PNA), penalizados pela correção no preço do minério de ferro. O insumo interrompeu uma sequência de altas e hoje caiu 1,1% no mercado à vista, para US$ 60,7 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index.