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Bovespa retoma patamar dos 57 mil pontos com ajuda do petróleo

Não faltou boa notícia para a Bovespa, que foi reconduzida ao patamar dos 57 mil pontos nesta quarta-feira, 3, de ganhos generalizados. O fato é que o investidor estrangeiro segue na ponta compradora, quase anulando as perdas de 2% contabilizadas nas últimas duas sessões. Entre as blue chips, as ações da Petrobras foram beneficiadas pelo forte avanço dos contratos futuros de petróleo, negociados em alta de 4% no mercado internacional depois de uma queda mais acentuada dos estoques de gasolina nos Estados Unidos, conforme mostrou mais cedo relatório do Departamento de Energia (DoE). Os papéis da Vale, por sua vez, engataram trajetória ascendente refletindo o anúncio de uma captação da ordem de US$ 1 bilhão via emissão de bônus. Para completar o cenário ideal, os bancos passam por uma recuperação das perdas recentes liderados por Itaú Unibanco PN, papel de maior peso na carteira do índice à vista, que avançou mais de 4%, dando continuidade aos ganhos da véspera, quando divulgou resultados.

O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,63%, aos 57.076,91 pontos, não muito distante da máxima, quando alcançou os 57.101 pontos (+1,67%). Mas a Bovespa começou o dia muito diferente, em queda, seguindo o comportamento que predominava nos mercados acionários internacionais. Na mínima, chegou a recuar 0,67%, aos 55.788 pontos. A virada para o território positivo aconteceu pouco depois das 11 horas, e foi consolidada a partir das 11h30, com a divulgação do relatório do DoE e posterior percepção de que a redução além da esperada dos estoques de gasolina foi positiva diante do excesso de oferta nos produtos do petróleo. O volume negociado somou R$ 7,16 bilhões.

"A Bovespa mostra um comportamento bem firme hoje, tanto por conta do cenário doméstico como por conta do exterior, com o petróleo dando fôlego para as ações da Petrobras e ajudando nosso mercado como um todo. Não tem venda, o que acaba sendo muito positivo. O Ibovespa até caiu nos últimos dois dias, mas foi uma queda em meio a um giro baixo, como tem ocorrido quando passamos por ajustes pontuais. Estamos em um movimento de fluxo que é bem clássico de uma tendência, com os estrangeiros mirando compra", comentou o analista da Clear Corretora Raphael Figueredo. Em agosto, a Bovespa acumula queda de 0,40%, mas no ano tem valorização de 31,67%.

Vencida novamente a barreira dos 57 mil pontos, o profissional prevê que o Ibovespa passe a testar os 58 mil pontos, rumo aos 60 mil pontos, nível que ele acredita que pode ser alcançado "antes do fim do ano". Na avaliação de Figueredo, a demora do governo Michel Temer em emplacar medidas de ajuste fiscal e as concessões que vêm sendo feitas nos principais projetos são observadas pelo mercado, mas não chegam a promover ajustes nos ativos porque a perspectiva para economia brasileira é de melhora.

Voltando ao Ibovespa, as ações da Petrobras terminaram em alta de 4,01% (ON) e 4,75% (PN), beneficiadas pelo salto de cerca de 4% dos contratos futuros de petróleo em Londres e em Nova York. Os preços da commodity foram impulsionadas pela redução surpreendente nos estoques de gasolina divulgado pelo DoE. Eles caíram 3,262 milhões de barris, para 238,19 milhões de barris, ante previsão de queda de 300 mil barris. O WTI para setembro negociado na Nymex fechou em alta de 3,34%, a US$ 40,83 por barril. O avanço do Brent para outubro, negociado em Londres, foi de 3,11%, indo a US$ 43,10 por barril.