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Brasil é maior 'convicção' de investidor entre emergentes

Diante da melhora na crise política e de sinais de avanço econômico, o Brasil tem se tornado a maior "convicção" de investidores estrangeiros entre as principais economias emergentes, segundo profissionais do Bank of America Merril Lynch.

A percepção positiva sobre o cenário nacional se traduz, na avaliação dos especialistas, em expectativa de investimentos no País, o que pode marcar uma mudança no perfil de fluxo de recursos, marcado até então por negócios mais "especulativos" nos mercados financeiros.

No entanto, a chegada de capital no Brasil não deve ser um "tsunami de dinheiro", como muitos esperavam antes do impeachment de Dilma Rousseff. Para os profissionais do banco, a entrada de recursos deve ser gradual. "O Brasil é, de fato, a maior convicção entre os emergentes globais", afirmou o chefe de estruturação e vendas de derivativos, Nuno Martins, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Martins foi um dos profissionais do banco que participaram de reuniões paralelas aos eventos organizados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington no início deste mês. "Todos veem espaço para melhora (do Brasil), sendo que alguns investidores estão esperando a queda de juros. Esse é um termômetro importante."

A redução da taxa básica de juros, a Selic, pode atrair capital produtivo, na forma de investimento estrangeiro no País (IDP, ex-IED), indicando uma possível mudança de perfil no fluxo de entrada. Para o câmbio, essa transição pode apontar para um foco maior em fluxo no mercado à vista, em vez de negociação de majoritariamente derivativos, como tem sido o caso desde as vésperas do impeachment. "O fluxo de 'spot' veio, mas foi modesto. E ainda não conversa com o cenário atual. Mas temos perspectiva de que vai acontecer ao longo próximos meses", diz Martins.

O processo, entretanto, deve ser gradual. "Aquela conversa de 'tsumoney' com impeachment e aprovação da PEC do Teto é falaciosa. O conforto dos investidores precisa aumentar gradualmente e, com isso, vai vindo mais fluxo", disse. Há ainda expectativa para ver como o governo trabalhará com a agenda de privatizações e ajustes em marcos regulatórios, por exemplo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.