22°
Máx
17°
Min

Brasil perde 1,367 milhão de vagas com carteira no período de um ano, diz IBGE

O mercado de trabalho no Brasil perdeu 1,367 milhão de postos de trabalho com carteira assinada no período de um ano. O estoque de empregos formais recuou 3,8% no trimestre encerrado em fevereiro, ante o mesmo período do ano passado, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quarta-feira, 20, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O emprego sem carteira assinada no setor privado também diminuiu, -4,8%, o equivalente a 493 mil demitidos. Como resultado, o emprego no setor privado no Brasil, que representava 50,3% da população ocupada em fevereiro de 2015, agora está em 48,9%, o menor nível registrado na série histórica da pesquisa, iniciada no primeiro trimestre de 2012.

"É o patamar mais baixo de empregados com carteira e sem carteira que a gente tem", disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Qualidade do emprego

Além de registrar diminuição no total de vagas, o mercado de trabalho também apresenta uma redução na qualidade do emprego que permanece. O trabalho por conta própria cresceu 7% no trimestre encerrado em fevereiro, ante o mesmo período do ano anterior, de acordo com a Pnad Contínua.

O montante equivale a 1,522 milhão de trabalhadores a mais nessa condição. O trabalho por conta própria pode ser formal ou não, mas é usado como uma Proxy da informalidade, por abrigar muitos trabalhadores em atividades precárias, com baixo rendimento e nenhuma formalização.

"A maioria expressiva (de trabalhadores por conta própria) está voltada para a informalidade", afirmou Cimar Azeredo.

Embora tenha recuado a proporção de trabalhadores sem vínculo formal no setor privado, a informalidade cresce através do trabalho por conta própria. O total de trabalhadores sem carteira no setor privado passou de 11,1% da população ocupada em fevereiro de 2015 para 10,7% em fevereiro de 2016. Já o total de trabalhadores por conta própria aumentou sua representatividade de 23,6% para 25,6% no mesmo período.

"A qualidade do emprego que permanece está sendo também afetada", declarou Azeredo. "Essa proxy é bastante expressiva para mostrar que o que está acontecendo no mercado de trabalho hoje é uma informalização", acrescentou.

Setores

Entre os setores pesquisados, a indústria demitiu 1,372 milhão de trabalhadores no período de um ano. O total de ocupados no setor despencou 10,4% no trimestre encerrado em fevereiro ante o mesmo período do ano passado, de acordo com a pesquisa do IBGE. "De longe, a indústria foi o grupamento mais afetado por essa crise", afirmou Cimar Azeredo.

O segundo setor com maior corte de vagas foi o de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 808 mil demissões, 7,7% trabalhadores a menos.

Já os serviços domésticos avançaram 3,9%, com 235 mil empregados a mais.

"A pesquisa mostra uma tendência de retorno das empregadas domésticas. Elas saíram do mercado doméstico porque tiveram oportunidade de se inserir em outros nichos. Agora, sem essas oportunidades, elas estão sendo obrigadas a voltar ao emprego doméstico", disse Azeredo.

Outros avanços expressivos no total ocupado foram registrados por Transporte, armazenagem e correio (225 mil vagas a mais); alojamento e alimentação (190 mil a mais); comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (104 mil a mais); e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (264 mil a mais).

Ocupação

O crescimento da população em idade de trabalhar e o corte de postos de trabalho levaram o nível de ocupação para o patamar mais baixo da série histórica da Pnad Contínua, iniciada no primeiro trimestre de 2012.

O nível da ocupação - que mostra a proporção de ocupados em relação à população em idade de trabalhar - caiu de 56,4% no trimestre encerrado em fevereiro do ano passado para 55,1% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, divulgou o IBGE.

A taxa de desemprego também alcançou dois dígitos pela primeira vez na pesquisa, aos 10,2%. No entanto, Cimar Azeredo ressaltou que o País já teve a taxa em dois dígitos em períodos anteriores.

"A PME (Pesquisa Mensal de Emprego) mostrava taxa de dois dígitos em 2002 e 2003. Nos anos de 2002 e 2003 inteiros as taxas atingiram dois dígitos. São pesquisas que não são comparáveis, mas é para mostrar que taxa de dois dígitos no Brasil não é novidade", lembrou Azeredo.