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Brasileiro indica que vai concorrer a mais quatro anos no comando da OMC

O brasileiro Roberto Azevedo indica que está disposto a ser candidato a mais um mandato no comando da Organização Mundial do Comércio (OMC) e o governo em exercício de Michel Temer já indica que o apoiará. Nesta quarta-feira, 27, Azevedo anunciou aos mais de 160 membros da entidade de que, se houver um apoio dos governos, ele concorreria para ficar por mais quatro anos na direção da entidade, com sede em Genebra.

Oficialmente, Azevedo anunciou que apenas irá lançar oficialmente seu nome quando o processo for aberto, em outubro. Mas a declaração desta quarta-feira já o coloca na prática na corrida para continuar no comando.

Ao assumir o Itamaraty, o chanceler José Serra indicou que o Brasil teria de buscar alternativas para abrir mercados e que não poderia apenas depender de um acordo na OMC, entidade que há 15 anos negocia um novo acordo multilateral, sem sucesso. Azevedo indicou que não entendeu a declaração de Serra como um abandono da parte do Brasil de seus interesses pela OMC e que, depois de conversar com o chanceler, recebeu garantias de que a entidade continuar tendo o apoio do governo.

Nesta quarta-feira, o governo em exercício deu uma clara demonstração de que vai apoiar Azevedo por mais quatro anos na entidade. "Em nome do governo brasileiro e do mais alto nível, gostaria de dizer que se colocar à disposição da OMC para um segundo mandato, pode contar com o mesmo nível de apoio, o mesmo nível de prioridade de Brasília que teve desde o início da sua jornada, em 2013 , afirmou o secretário-geral do Itamaraty, Marcos Galvão.

O vice-ministro brasileiro deixou claro que a decisão final será de Azevedo. "Mas no que se refere ao apoio do Brasil e da mobilização, nosso governo já tomou uma decisão: estaremos contigo durante todo o caminho", declarou.

O Itamaraty também aproveitou a ocasião para reforçar seu compromisso com o sistema multilateral e evitar dúvidas. "Obviamente nós compartilhamos e apoiamos seu compromisso ao multilateralismo, inclusão e desenvolvimento", disse Galvão, que insistiu que Brasília está "convencido" de que Azevedo vai ajudar em atingir esses objetivos. "O Brasil está orgulhoso de seu trabalho", apontou.

Em 2013, Azevedo foi eleito para o cargo e se transformou no primeiro brasileiro a dirigir a OMC ou qualquer entidade do sistema de Bretton Woods. Durante os próximos cinco meses, outros nomes ainda podem surgir e candidatos tem até 31 de dezembro para se apresentarem à corrida.

Marcada para o início de 2017, a escolha do novo diretor-geral da OMC será acompanhada por um forte debate sobre o que fazer com as negociações fracassadas da Rodada Doha.

Azevedo, durante seu mandato, conseguiu fechar alguns acordos setoriais e não permitir que a crise na Rodada Doha suspendesse os trabalhos da OMC. Apresentado inicialmente como um candidato dos países emergentes e com seu apoio baseado na presença do Brasil no mundo em desenvolvimento, Azevedo ganhou também a confiança dos países ricos.

Mas a vitória em 2013 foi bem mais apertada que o governo brasileiro declarou nos dias após o anúncio do resultado da eleição. Dados obtidos pela reportagem revelam que a diferença entre Azevedo e o então candidato mexicano Hermínio Blanco teria sido de cerca de 13 votos, entre os 159 países. Peça central na vitória do brasileiro foi a Comissão Europeia, que praticamente anulou o apoio que Reino Unido, França e Alemanha haviam dado ao mexicano.

Azevedo não era o favorito entre os governos nacionais europeus. Mas tinha o apoio da Comissão Europeia, o braço executivo do bloco e que atua de forma semi-independente em matéria de comércio.

15 países europeus apoiavam Blanco, contra 13 a Azevedo. Mas numa manobra diplomática, a Comissão conseguiu que, na prática, o voto europeu fosse equivalente a uma abstenção. Essa realidade abriu caminho para a vitória de Azevedo que, de fato, tinha um número maior de votos em outras regiões.

Segundo a reportagem apurou, a operação da Comissão envolveu seu próprio ex-presidente, o português José Manuel Barroso, que decidiu fazer campanha pelo Brasil. Para isso, teve de reverter um cenário de amplo apoio entre os 27 países do bloco a favor do México.