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Brexit pode ampliar comércio bilateral com Reino Unido, diz Giannetti da Fonseca

O presidente do Conselho Empresarial da América Latina Capítulo Brasil (CEAL) e presidente da Kaduna Consultoria e Participações, Roberto Giannetti da Fonseca, avalia que o Brexit traz uma possibilidade de o Brasil aumentar seu comércio bilateral com o Reino Unido.

"O Reino Unido é mais liberal que a União Europeia. Para que então o país continuar com cotas de importação de carne e açúcar brasileiros se não somos concorrentes?", declarou no evento "O que o Brexit significa para o mundo (e para o Brasil)?", promovido pela Amcham, em São Paulo.

Segundo ele, da pauta bilateral, o Brasil poderia aproveitar o expertise em serviços dos britânicos e firmar um acordo nesta área. Já o Brasil pode contribuir para o Reino Unido em segurança alimentar e meio ambiente. "Hoje nossas exportações para o Reino Unido são 1,5% do total. Temos potencial para crescer para 3%, 4%, 5%", declarou.

Entretanto, ele lembra que, para o Brasil avançar no comércio exterior e em grandes acordos comerciais, terá que encontrar saídas individualistas, fora negociações em bloco com o Mercosul. "O Mercosul teve letargia e o Brasil agora quer ser protagonista. Talvez temos que ter ma flexibilização para negociar fora do Mercosul", falou, citando países, como Japão, Estados Unidos e Reino Unido, como alvos a serem buscados comercialmente pelo Brasil.

Especificamente sobre Mercosul, Fonseca comentou que o erro foi ter colocado no bloco a questão de ser uma união aduaneira, sem regras claras e homogêneas. "Eu não acredito em negociação coletiva, em formato de união aduaneira. As decisões sempre têm que ser consensuais e aí se chegam sempre em propostas fracas e protecionistas. Tem que evoluir Mercosul para livre comércio", falou, ressaltando que a intenção não é acabar com o bloco, mas melhorá-lo, com cautela.

Com relação ao Brexit, o especialista se mostrou preocupado, já que até que se dê a saída definitiva do Reino Unido do bloco, haverá incerteza e instabilidade. "Tenho preocupação de se estamos vivendo momento de eclosões econômicas, como em 2008. Não dá para avaliar o movimento com pacificidade", ressaltou. Para ele, a União Europeia precisa mostrar seu protagonismo e nesse sentido dar andamento ao acordo com o Mercosul pode ser uma oportunidade.