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Bullard, do Fed, diz preferir esperar por dados para decidir sobre juros nos EUA

O presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, disse nesta segunda-feira que não gostaria de se pronunciar agora sobre a possibilidade de aumentar a taxa de juros básicos e que gostaria de esperar por mais indicadores econômicos antes de tomar uma decisão no próximo mês.

"Sobre um aumento da taxa em junho ou julho, eu preferiria não opinar agora", disse Bullard, em entrevista coletiva à margem de um fórum do Banco da Coreia do Sul em Seul. Bullard, membro votante nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed, disse que quer ter em conta os dados disponíveis após o fim do primeiro trimestre, como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

Bullard descreveu o cenário mais recente de crescimento como "encorajador", mas "ainda fraco". O PIB dos EUA se expandiu a uma taxa anual ajustada sazonalmente de 0,8% nos primeiros três meses de 2016, a partir de uma estimativa inicial de crescimento de 0,5%, informou o Departamento de Comércio na sexta-feira. O ritmo mais rápido do que o esperado de crescimento, no entanto, ainda representa uma deterioração do crescimento no quarto trimestre de 1,4%.

"O que eu tenho procurado são sinais claros de recuperação no segundo trimestre", disse Bullard.

Os comentários aparentemente cautelosos de Bullard vieram após a presidente do Fed, Janet Yellen, sinalizar na sexta-feira que o banco central poderá aumentar as taxas de juros nos próximos meses se a economia dos EUA continuar se fortalecendo.

O tom cada vez mais hawkish (favorável à retirada de estímulos) de autoridades do Fed deixa a porta aberta para um movimento de alta de juros na próxima reunião de política monetária da instituição, nos dias 14 e 15 de junho, ou nos seus encontros em julho. As autoridades têm dito nos últimos dias que eles esperam entre dois e três aumentos ao longo deste ano.

Bullard disse que um outro aumento da taxa nos EUA "não surpreenderia" e, portanto, não seria provável um choque nos mercados globais. "Minha sensação é de que os mercados estão bem preparados para um possível aumento da taxa", disse ele.

Em dezembro, o banco central dos EUA elevou sua taxa de juros, que tinha ficado perto de zero durante sete anos, a um intervalo entre 0,25% e 0,5%.

Bullard também disse que a política monetária não pode afetar substancialmente a participação da força de trabalho, que tem vindo a diminuir nos últimos anos.

A visão tradicional, segundo ele, é que o declínio na taxa global reflete as mudanças de longo prazo na composição da população dos EUA. A política monetária não tem um papel a desempenhar sob este ponto de vista do declínio da participação da força de trabalho.

Enquanto isso, a visão alternativa defende que uma grande parte do declínio pós-crise na participação na força de trabalho é cíclica. Fonte: Dow Jones Newswires.