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Caged pior que o esperado indica que fundo do poço ainda não chegou, diz FGV

Por ter surpreendido negativamente as expectativas do mercado financeiro, a quantidade de vagas formais de emprego que foram fechadas em junho reforça dúvidas sobre quando o mercado de trabalho chegará ao seu pior momento no Brasil, avalia o economista Bruno Ottoni, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "É cedo para dizer que chegamos ao fundo do poço", disse.

No mês passado, o saldo de demissões e contratações ficou negativo em 91.032, enquanto a previsão mais pessimista do mercado apostava em uma baixa de 84.600 vagas, segundo levantamento feito pelo Projeções Broadcast. Com o resultado, o primeiro semestre terminou com o fechamento de 531.765 postos de trabalho.

De acordo com Ottoni, o FGV/Ibre espera que mais meio milhão de vagas sejam fechadas até o fim do ano, terminando 2016 com um saldo negativo de 1 milhão. No ano passado, os cortes alcançaram 1,5 milhão de vagas. Depois de tantas demissões, Ottoni acredita que o espaço para cortes tem ficado cada vez menor. Além disso, ele acredita que a expectativa de melhora da economia tem feito o empresário esperar mais para tomar uma decisão de demitir.

Para o economista, uma pequena melhora do emprego formal deve vir no fim do ano, impulsionada principalmente pela sazonalidade favorável do comércio. O comércio foi, no primeiro semestre, o segmento que mais demitiu. Foram extintas 253.855 vagas, quase metade do total de vagas fechadas em toda a economia formal.