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Cenário externo é benigno e momento é ideal para Brasil fazer ajuste, diz Ilan

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta sexta-feira, 7, em uma palestra em Washington que os países emergentes estão se beneficiando de um cenário benigno no exterior, marcado por juros muito baixos ou mesmo negativos. É um ambiente propício para o Brasil fazer o ajuste na economia, ressaltou.

O período atual é marcado por liquidez em alta no mercado internacional, em que os investidores estão com apetite por riscos e buscam ativos em mercados emergentes, ressaltou Ilan logo no começo de sua apresentação. "Isso nos dá tempo (para o ajuste)", disse ele, destacando que a economia mundial não está "à beira de uma recessão". "É claro que nós sempre podemos fazer ajustes e reformas em momentos mais difíceis. Mas eu prefiro fazer agora. Não quer dizer que você não pode fazer (em outros momentos), mas acaba sendo mais difícil."

"No Brasil, este é o exato momento para prosseguir com o ajuste", afirmou, citando que o país enfrenta uma das piores recessões de sua história e uma inflação que bateu no ano passado em 11%. "Ainda temos um desafio de trazer a inflação para o centro da meta."

O processo de normalização da política monetária nos Estados Unidos, com a esperada alta de juros, é um bom sinal, mas significa que o atual período benigno para os emergentes está perto de se fechar. A transição na estratégia do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode criar alguma volatilidade, mas não será um choque.

No Brasil, a recuperação da confiança é essencial para que o país volte a crescer, disse o presidente do BC. Ilan mencionou na apresentação que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos é apenas o primeiro passo do ajuste, que inclui ainda uma reforma da previdência. "A aprovação das reformas e a restauração da confiança serão a principal força para a recuperação, que pode levar a um ciclo virtuoso de crescimento e baixa inflação."

Ilan disse que como cidadão quer ver as reformas aprovadas, mas para o BC o que precisa é o contorno, a ideia de que situação fiscal está bem encaminhada, sem tanta incerteza. Na palestra, ele afirmou que a expectativa é de inflação de 4,9% em 2017 e convergir para o centro da meta em 2018. Sobre o IPCA divulgado nesta sexta-feira, que veio com o menor nível para o mês desde 1998, está na direção certa, mas precisa ser avaliado com cuidado para ver se é uma tendência ou um fato isolado do mês.

Comunicação

O cenário de inflação previsto para o BC não diverge muito das expectativas de inflação do mercado, disse ele. Em seguida ele explicou para jornalistas que o BC vem procurando indicar uma comunicação que faz com que os agentes vejam os fatores e saibam como a autoridade monetária vai reagir em função do que a economia se desenrolar. "Veja os fatores e veja as projeções que a sociedade vai saber para onde nós caminhamos."

O presidente do BC ressaltou ainda que é preciso simplificar o sistema tributário no Brasil, além de uma reforma trabalhista e privatizações. Também é desejo do governo reduzir o custo do crédito no médio prazo. Os esforços fiscais começaram bem, mencionou ele. "Temos uma agenda de reformas."

O evento foi promovido pela Câmara de Comércio do Brasil-Estados Unidos e reuniu cerca de 250 empresários, investidores, advogados e analistas. Entre as empresas, estavam executivos do Walmart, Citigroup e Embraer.