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Cielo quer ir além das 'maquininhas'

A Cielo está se reposicionando para se manter relevante no mercado de meio de pagamentos, que está recebendo uma enxurrada de novos entrantes à medida que a tecnologia de pagamento por celular se desenvolve. Dona de 53,4% de um setor que movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano, a companhia quer deixar de ser conhecida como uma empresa de "maquininhas" de cartões. Para isso, mudou até seu slogan: virou uma "máquina de ideias".

A mudança é necessária, segundo Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo, por causa da evolução do setor de meio de pagamentos em todo o mundo. Novidades que antes demoravam anos para serem desenvolvidas hoje aparecem em questão de meses. Para não ser engolida por uma startup ousada, a Cielo resolveu se mexer: "O que nos trouxe até aqui não será suficiente para nos levar adiante", afirma Dias.

Segundo o presidente da empresa, por trás dessa abertura em mudar está a determinação da Cielo em proteger a posição de mercado que vem mantendo desde 2010, quando o Banco Central (BC) abriu a concorrência no segmento. O desempenho da concorrência não tem sido uniforme. A número dois do mercado, a Redecard, do Itaú Unibanco, viu sua fatia ser reduzida, segundo relatórios de analistas, enquanto a terceira colocada GetNet, do Santander, vem ganhando espaço.

Em cinco anos, segundo relatório do Citibank, o investimento em fintechs (startups de serviços financeiro) foi multiplicado por dez, chegando a US$ 19 bilhões em 2015. Até o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, admitiu, em recente evento de tecnologia bancária, que os "bancos terão de correr" se não quiserem ver suas margens minguarem por causa das fintechs. E um dos alvos principais dessas companhias inovadoras são justamente os meios de pagamentos.

Neste contexto, o desafio da Cielo não é apenas inovar, mas trazer novos serviços ao lojista e ao cliente pessoa física. Para mudar de mentalidade, a Cielo reorganizou sua estrutura comercial e também sua diretoria, promovendo jovens talentos. O vice-presidente de produtos e negócios Danilo Caffaro, de 34 anos, faz parte dessa "nova geração". Para ele, a Cielo não pode ser mais definida apenas como uma companhia de serviços financeiros. Hoje, para atender o cliente, precisa entender - e muito - de varejo e tecnologia. Em outras palavras: a Cielo precisa dar subsídios para ajudar seu cliente a vender mais.

Soluções

Na lista dos produtos prontos para sair do forno da Cielo, estão ainda uma versão customizada do serviço de big data (trabalho de inteligência de dados) para as pequenas e médias empresas, o Farol, que será lançado neste mês.

Outra novidade, lançada em abril, é a máquina Cielo Lio, que não só capta pagamentos. Repaginado tanto no aspecto físico quanto no software embarcado, o terminal serve também para ajudar o comerciante ou prestador de serviço a gerir seu negócio. De acordo com o presidente da Cielo, a meta é que a Cielo Lio chegue a 50 mil estabelecimentos até o fim deste ano.

A concorrência segue a estratégia de perto. A Rede também já lançou a sua máquina de cartões inteligente, com o objetivo de ter 5 mil máquinas em uso até agosto, segundo Fernando Chacon, presidente da empresa. Até dezembro, a meta é ter até 50 mil terminais em uso.

A Cielo, porém, já começou a pensar além das maquininhas. Recentemente, criou um botão que possibilita aos consumidores fazer compras com apenas um toque - nos moldes da tecnologia que a varejista online Amazon já implantou nos Estados Unidos.

O produto, feito em parceria com a controlada Braspag e que pode ser acionado nos formatos físico e de aplicativo, está sendo testado por cem pessoas e está disponível apenas para compras no supermercado online de orgânicos Organomix. Segundo a empresa, porém, o produto pode ter seu uso estendido no futuro.

Outra tecnologia que a Cielo poderá trazer em breve ao País é uma assistente pessoal nos moldes da Alexa, também da Amazon, que recebe comando de voz, sendo capaz até de fazer compras pela internet.

Ao ir além das maquininhas e propor novas formas de contato - por celular, botões ou apenas por acionamento por voz -, a Cielo deseja ampliar sua fatia no consumo das famílias. Com os cartões, essa participação ainda é limitada: segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), os cartões concentravam 28,5% dos gastos dos brasileiros ao fim de 2015. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.