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CNI/Sondagem: índice de produção sobe para 46,6 pontos em junho

A indústria brasileira tem apresentado certa recuperação, segundo aponta a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada nesta segunda-feira, 18, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de produção do setor subiu de 45,5 pontos em maio para 46,6 pontos em junho. Apesar de ainda estar abaixo dos 50 pontos, o que indica queda da produção, a retração é menor que a observada no mesmo mês de anos anteriores. Em junho de 2015, por exemplo, o índice de evolução da produção estava em 40,3 pontos.

De acordo com a CNI, essa "certa recuperação" é resultado da combinação de alguns indicadores positivos de expectativa - como os de demanda, de quantidade exportada e de compras de matérias-primas - e da redução do ritmo de queda de determinados indicadores coincidentes, como os de evolução da produção e de emprego. Outro ponto destacado pela entidade como positivo são os estoques, que estão no nível desejado. O índice que mede a evolução do número de empregados subiu de 43,7 pontos em maio para 44,6 pontos em junho. No mesmo mês do ano passado, o indicador era de 40,7 pontos.

Com relação à utilização da capacidade instalada (UCI), o indicador permaneceu estável em 64%, o mesmo registrado desde março de 2016. Esse porcentual é também praticamente o mesmo registrado em junho de 2015, de 65%, mas está oito pontos porcentuais abaixo da média para meses de junho. De acordo com a CNI, o índice de UCI efetivo-usual confirma a alta ociosidade da indústria. Esse indicador ficou em 36,1 pontos em junho, ante 35,1 pontos em maio, ficando abaixo da linha dos 50 pontos, o que indica que a UCI observada é inferior ao usual para o mês.

Com relação aos estoques, o índice registrou queda de 48,9 pontos em maio para 47,8 pontos em junho, marcando o oitavo mês de retração. Mas, destaca a CNI, apesar da queda, os estoques permanecem praticamente no nível planejado. O índice de estoque efetivo-planejado oscilou dentro da margem de erro, de 49,8 pontos em maio para 49,3 pontos em junho.

Condições financeiras

A Sondagem aponta ainda que o ritmo de crescimento dos preços das matérias-primas vem desacelerando desde o 4º trimestre de 2015. O índice acumula queda de 5,6 pontos no período. No segundo trimestre deste ano, o indicador atingiu 63,6 pontos, ante 64,7 pontos registrado no primeiro trimestre de 2016.

Com relação os índices de satisfação com a situação financeira, o indicador continua abaixo dos 50 pontos, o que mostra forte insatisfação dos empresários com a situação financeira e a margem de lucro. Mas, em junho, o índice de satisfação com a situação financeira registrou alta de 1,6 ponto porcentual, ficando em 39,5 pontos, e o de margem de lucro cresceu 2,2 pontos, atingindo 34,9 pontos.

O índice de facilidade de acesso ao crédito continua abaixo de 50 pontos, retratando as dificuldades que as empresas vêm enfrentando para adquirir linhas de crédito. O índice permaneceu estável em 29 pontos.

Expectativas

A Sondagem Industrial mostra que os índices de expectativas começam a retratar otimismo dos empresários quanto aos próximos seis meses. O índice de expectativa da demanda atingiu 52,9 pontos em julho, ante 51 pontos em junho. Ou seja, manteve-se acima dos 50 pontos pelo segundo mês consecutivo, o que sinaliza expectativa de aumento de demanda.

O índice de expectativa de exportação foi de 51,8 pontos em julho ante 52,5 pontos no mês anterior. O índice de expectativa de compra de matérias-primas cresceu 2,3 pontos entre junho e julho, atingindo 50,8 pontos. Assim, o indicador chega à linha divisória de 50 pontos pela primeira vez desde outubro de 2014.

O índice de expectativa de emprego ficou em 46,3 pontos ante 45,3 pontos no mesmo período de comparação. A intenção de investimento continua baixa, em 41,4 pontos ante 41,2 pontos registrados no mês de junho.

Problemas

A alta carga tributária e a demanda interna insuficiente permanecem como principais problemas enfrentados pelas indústrias de transformação e extrativa. Os dois foram assinalados por 44,9% e 43,2% dos entrevistados, respectivamente. Em seguida vem a taxa de juros elevada (27%) e a inadimplência dos clientes (25,2%).