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Com sobra de recursos, Itaú Unibanco aproveita crise para ir às compras

O Itaú Unibanco está aproveitando a crise no País, que dificulta a expansão dentro de casa, para crescer por meio de aquisições. Depois de levar no final do ano passado a Recovery, empresa de recuperação de crédito do BTG Pactual, o banco anunciou na noite de quinta-feira a compra da fatia do BMG na sociedade que detinha com a instituição em consignado (empréstimos com desconto em folha). O Itaú negocia ainda, com exclusividade, a operação de varejo do Citi no Brasil, na qual desbancou o Santander Brasil ao fazer uma oferta maior pelo ativo.

Neste momento, o Itaú discute os detalhes finais da operação com o Citi, que poderá agregar uma carteira de R$ 8 bilhões, 1 milhão de cartões e uma rede de 71 agências. Se concluída, poderá ser sua 26ª aquisição em mais de 90 anos de história.

O avanço do Itaú nas negociações surpreendeu o mercado, que tinha o Santander como o favorito para levar a área de varejo do Citi depois de perder a disputa pelo HSBC para o Bradesco. Pesou no apetite do banco, segundo fontes, a base de clientes de alta renda do Citi e o relacionamento com o banco americano. Em 2013, o Itaú comprou a Credicard, do Citi, por R$ 2,8 bilhões.

O maior apetite do Itaú para aquisições tem como pano de fundo, conforme analistas, o fato de o banco ter mais de R$ 60 bilhões de sobra de capital resultado, principalmente, da baixa demanda por crédito.

Ao final de junho, o banco somava quase R$ 136 bilhões de patrimônio de referência (capital exigido para fazer frente aos riscos bancários), quase o dobro do montante mínimo requerido pelo regulador, em seu caso, de R$ 74 bilhões. Como consequência, seu índice de Basileia, que mede quanto um banco pode emprestar sem comprometer o seu capital, está em 18,1%, bem acima dos 11% mínimos exigidos pelo Banco Central.

Pesa ainda a falta de perspectivas quanto a oportunidades de crescimento sem aquisições no País, já que ainda deve levar um tempo para que o País recupere uma trajetória de desenvolvimento sustentável.

Com 12 milhões de desempregados, o Brasil caminha para o seu segundo ano seguido de recessão e pode, em 2017, não voltar a crescer, conforme as projeções mais pessimistas. "As perspectivas de crescimento orgânico são baixas e o Itaú está acumulando um capital excedente grande que pode ser empregado em negócios que o banco tem sinergia", avalia um analista, que pediu para não ser identificado. "Não é por acaso que o Itaú começou a se mexer."

Controle

Esse foi o caso do BMG. Após anunciar, em 2012, uma joint venture com banco mineiro, o Itaú decidiu arrematar os 40% de seu sócio. Desembolsará cerca de R$ 1,28 bilhão pela fatia na sociedade, líder em consignado no Brasil com uma carteira de R$ 29 bilhões contabilizada ao final de agosto.

A "parceria" de Itaú com BMG continuará via acordo de exclusividade para distribuição de empréstimo consignado por dez anos. O banco não espera resultados relevantes em 2016 por conta da operação.

Em nota, o Itaú afirmou que tem "forte disciplina" na utilização de capital. "Isso pode ser observado nos seus negócios do dia a dia bem como nas parcerias e aquisições que faz. Temos um nível de capital bem acima do requerido pelo regulador, que nos permitiu fazer esta transação", disse a instituição.

A operação com o BMG reforça ainda o apetite do Itaú por ativos de menor risco, movimento que foi bem recebido pelo mercado. Em relatório ao mercado, analistas do BTG Pactual aprovaram o negócio, afirmando que a operação "foi uma boa maneira de colocar o capital para trabalhar".

Além disso, o Itaú acaba de incorporar os números do CorpBanca, como resultado da fusão das operações dos dois bancos no Chile e na Colômbia. Com esse impulso, além de ampliar a distância em ativos do seu principal concorrente, o Bradesco, para mais de R$ 100 bilhões, encostou no Banco do Brasil, que é líder em ativos na América Latina. Neste caso, a diferença, conforme balanço ao final de junho, é de apenas R$ 49 bilhões.

Na outra ponta, o Itaú se desfez de ativos de maior risco. Além de vender sua carteira de seguros de grandes riscos, que passou para a Ace - hoje Chubb Seguros -, se desfez também da operação de seguro de vida em grupo, anunciada também neste mês. Depois de mais de um ano de negociações, a Prudential comprou o ativo. Além disso, reduziu drasticamente o peso do crédito a veículos em seu balanço. O segmento, que em dezembro de 2012 representava mais de 34% da carteira total, tem participação inferior a 10% atualmente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.