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Comércio exterior via contêineres terá recuperação no 2º trimestre

A Maersk Line, empresa mundial armadora de contêineres, aguarda uma leve recuperação do comércio exterior brasileiro por meio de contêineres no segundo trimestre, impulsionado pela melhora das importações. De acordo com dados contidos no Relatório do Comércio do Grupo Maersk do primeiro trimestre do ano, as importações chegaram ao seu pior nível em sete anos nos três primeiros meses e o Brasil se tornou uma "economia majoritariamente exportadora pela primeira vez desde 2011."

"O mercado está se perguntando se a economia brasileira chegou, finalmente, ao fundo do poço, já que, para o segundo trimestre, estamos prevendo uma melhoria sobre os fracos resultados dos últimos trimestres nas importações", afirmou o diretor superintendente da Maersk Line no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, Antonio Dominguez, no documento. "Ainda assim, há muito o que melhorar e este é o momento para que novos acordos que favoreçam as trocas comerciais brasileiras sejam adotados, assim como os investimentos em infraestrutura finalmente saiam do papel, pois, do contrário, continuaremos longe do razoável por um bom tempo", ponderou o executivo.

O relatório aponta que o volume recebido nas importações por meio de contêineres se retraiu em 31% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2015, devido ao cenário recessivo e a desvalorização do real. Já as exportações, apesar das dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros, tiveram crescimento de 16% na mesma base de comparação. "A performance positiva das vendas externas foi puxada, mais uma vez, pelos produtos refrigerados, com crescimento de 15% - em grande medida, resultado do fortalecimento da comercialização de produtos para a Ásia, que, sozinha, comprou 23% mais produtos brasileiros no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado", explicou a Maersk Line, no documento.

Assim como nas exportações, a Ásia foi destaque nas importações, com queda de 43% nos embarques com destino ao Brasil. Resultado semelhante pode ser observado nas rotas da Europa (-38%).

A empresa tem a percepção de que o cenário brasileiro hoje reflete um moderado otimismo entre empresários com a nova equipe econômica do presidente em exercício Michel Temer, ao mesmo tempo em que setores da economia, como o automotivo, devem começar a repor seus estoques. "O setor automotivo deve ser um dos destaques positivos neste segundo trimestre. Mesmo que esse leve reaquecimento não signifique, necessariamente, uma melhora no cenário, o fato é que, nos últimos meses, o índice de importação caiu para um nível muito abaixo das mínimas históricas, o que abre espaço para a recuperação também", disse Dominguez.

Porém, na visão do executivo, o crescimento das exportações está sendo limitado, agora, pela falta de espaço nos navios dos armadores. "O preço do frete das exportações melhorou, mas continua baixo e ainda não cobre o custo de se trazer mais navios para o Brasil - pelo menos enquanto as importações continuarem em declínio", afirmou o executivo. O desempenho ruim no lado das importações afetou a disponibilidade de espaço nos navios, impactando a capacidade dos exportadores. Os efeitos dessa mudança de perfil do comércio exterior brasileiro puderam ser sentidos principalmente nas rotas para a Ásia, cujas tarifas de frete encontravam-se nos menores patamares em anos.

Ainda segundo a empresa, o otimismo nas vendas externas também esbarra na superação de outros desafios, como a falta de investimento para aumentar a produção. A assinatura de novos acordos bilaterais e a revogação de leis restritivas ao comércio são sugestões da Maersk Line para aumentar a competitividade do Brasil.