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Condições melhoram na América Latina, mas cenário segue incerto

Depois de um começo de ano complicado, as condições na América Latina melhoraram, mas o cenário para a região permanece incerto, avalia o diretor para o departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Alejandro Werner, nesta quarta-feira. 20, em um relatório.

A saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, terá impacto direto reduzido na América Latina, pois as exportações da região para os britânicos são baixas, ao redor de 1% do total das vendas externas. Ainda assim, o Brexit pode ter consequências negativas na medida em que influencia o crescimento de vários países, ressalta Werner. Na terça-feira, 19, o FMI rebaixou novamente a previsão de expansão da economia mundial em 2016 e 2017 por causa do Brexit.

Um menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial pode contaminar os países da América Latina pelo canal comercial e financeiro, ressalta o diretor do FMI. Ao mesmo tempo, a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode demorar mais tempo e ser mais gradual para subir os juros é positiva para a região, pois diminui as chances de alta dos custos de captação para empresas e governos.

Werner ressalta que os preços das commodities têm se recuperado desde fevereiro, o que é positivo para a América Latina, mas as cotações devem permanecer em patamar baixo "pelo futuro previsível".

Outro risco para a região são as turbulências no mercado financeiro mundial. "Os frequentes episódios de aumento da volatilidade, embora breves, são uma constante lembrança de que as condições favoráveis do mercado podem mudar da noite para o dia." A volatilidade também pode exacerbar vulnerabilidades nas empresas, muitas com dívida alta, ressalta o diretor do FMI.

A América Latina teve as projeções de PIB melhoradas pelo FMI. Em 2016, a contração deve ficar em 0,41%, ante queda de 0,5% prevista no relatório de abril do Fundo. Em 2017, a região deve voltar a crescer, expandindo 1,61%, ante alta de 1,5% do documento anterior.

A Venezuela deve ficar com o pior desempenho, com contração de 10%. A Argentina deve encolher 1,5%, por conta do impacto acima do previsto das medidas de ajuste econômico do novo governo. Já entre os destaques de crescimento estão Peru (+3,7%), Colômbia (+2,5%) e México (+2,5%).)