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Contribuição negativa da demanda em 2015 foi a mais acentuada da série, diz IBGE

O avanço do desemprego, a queda na renda, a alta de juros e a disparada da inflação determinaram o desempenho negativo do consumo das famílias em 2015. A retração foi de 4,0% ante 2014, a maior da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1996.

"Essa queda se deve a diversos fatores. Houve deterioração dos indicadores de emprego e renda, e houve crescimento do saldo nominal de crédito, mas em termos reais na verdade houve uma queda", disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

No ano passado, o saldo de operações de crédito para pessoas físicas cresceu 4,4%. Mas, como a inflação cresceu 9,0% na média de 2015 contra a média de 2014, segundo o IBGE, o saldo real dessas operações acabou encolhendo. Além disso, a taxa de juros básica, a Selic, passou de 10,9% na média de 2014 para 13,3% no ano passado. "Tudo isso afetou o consumo das famílias", disse Rebeca.

FBCF

A retração de 14,1% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), como os investimentos são medidos no PIB, é explicada pela diminuição na demanda por todos os seus componentes, desde máquinas e equipamentos até itens da construção, explicou Rebeca Palis. Com isso, a FBCF teve a maior queda da série, iniciada em 1996.

Embora generalizada, a queda acabou sendo puxada pelo setor de máquinas e equipamentos, que encolheu de forma bastante intensa. A retração foi de 26,5%, o que levou essa atividade a perder peso nos investimentos, para 30,5%. "Houve retração tanto na importação quanto na produção interna de bens de capital", explicou a coordenadora.

A construção também deu contribuição positiva à FBCF, com queda de 8,5% no ano passado. Esse é o segmento que detém o maior peso nos investimentos, com 55,5%. Por fim, os outros itens ligados a investimentos registraram recuo de 2,5% na queda do volume produzido em 2015.

Déficit externo de bens e serviços

A melhora no déficit externo de bens e serviços no ano passado aliviou a necessidade de financiamento da economia. O número passou de R$ 263,6 bilhões em 2014 para R$ 194,7 bilhões em 2015.

De acordo com o IBGE, houve redução de R$ 79,8 bilhões no déficit externo de bens e serviços entre o ano passado e o anterior. Em 2015, o déficit foi de R$ 75,7 bilhões, ante R$ 155,5 bilhões no ano anterior.

Impostos

A forte queda de 7,3% dos impostos sobre produtos em 2015 na comparação com 2014 foi puxada por dois impostos. O Imposto sobre Produtos Importados (IPI) e o Imposto de Importação foram os destaques no período, de acordo com Rebeca.

O primeiro teve queda de 13,9% no ano passado ante 2014, enquanto o outro teve retração de 17,1% no período. A queda do imposto de importação está ligada à queda do volume de bens importados, na esteira da desvalorização cambial e do desempenho da atividade econômica, destacou a coordenadora.

Enquanto isso, o resultado do IPI foi influenciado pelo resultado negativo da indústria de transformação. Já o ICMS, que tem um peso maior sobre os Impostos sobre Produtos, retraiu, mas numa proporção menor, de 6,6%, destacou. Outros Impostos sobre Produtos tiveram queda de 6%.

Indústria extrativa mineral

Com desempenho diferente do registrado no ano, a indústria extrativa mineral foi destaque negativo no quarto trimestre de 2015 ante o período imediatamente anterior. A queda no período foi de 6,6%, segundo dados do IBGE.

"Houve destaque (negativo) para a indústria extrativa mineral com a greve dos petroleiros e os problemas da barragem de Mariana (MG) no último trimestre do ano", afirmou Rebeca.

A atividade teve queda importante no quarto trimestre, mas em 2015 foi a atividade econômica que mais cresceu e exportou, destacou.