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Cooperativas de crédito são contraponto aos bancos comerciais

Se existe um setor imune à crise é o bancário. No ano passado, enquanto o PIB do país encolhia 3,8%, os maiores bancos brasileiros registravam crescimento recorde. O Itaú, por exemplo, teve lucro líquido de R$ 23,36 bilhões em 2015 – alta de 15,4% em relação ao ano anterior; no Bradesco, o lucro foi de R$ 17,18 bilhões (alta de 13,9%), e no Santander, de R$ 6,624 bilhões (crescimento de 13,2% em relação a 2014). Taxas de juros colossais e a considerável receita gerada pelas tarifas bancárias contribuem para este resultado.

Por conta disso, cada vez mais clientes têm procurado alternativas à voracidade das instituições financeiras tradicionais. E as cooperativas de crédito aparecem como uma excelente opção. “A gente tem observado que os grandes bancos, como Itaú, Bradesco e Santander, têm concentrado as operações. Eles criam uma espécie de oligopólio, praticando taxas de juros elevadas e condições de pacotes e tarifas muitas vezes desfavoráveis ao cliente”, observa o economista Lucas Lautert Dezordi, professor da Universidade Positivo e sócio da Valuup Consultoria. “Nesse cenário, as cooperativas de crédito vêm ganhando espaço, porque cobram juros menores e têm menos taxas de serviços.”

Para ele, a migração dos bancos para as cooperativas em maior escala é uma questão de tempo: “Hoje essas associações representam 2,5 a 3% do mercado. É muito pouco, porque o consumidor ainda não conhece bem essa oportunidade financeira”, avalia. “É uma questão de conscientização de mercado: de o público saber que são instituições sólidas e seguras, reguladas pelo Banco Central, com regras rígidas e que podem proporcionar ganhos maiores, já que não visam ao lucro. Mas é preciso um certo tempo para os clientes se aprofundarem, superarem a desconfiança e experimentarem o sistema. De qualquer maneira, todos os fatores indicam o crescimento desse segmento, roubando espaço dos grandes bancos.”

Unicred

Prova disso é a expansão de grandes players do setor, como a Unicred. A cooperativa, que está presente em oito estados e possui mais de 215 mil associados, abre no dia 4 de abril a primeira agência no Paraná – na Avenida do Batel, 1.370, em Curitiba.

A unidade paranaense é subordinada à Unicred Central de Santa Catarina e gerida pela Unicred União, que já atendia o litoral e o norte do estado vizinho. No sistema, 45 cooperativas singulares de base (como a União) são vinculadas a cinco centrais, que por sua vez se remetem à confederação nacional. A Central catarinense é a maior do grupo, com R$ 2 bilhões em ativos. Só a singular União, que vai atender os cooperados paranaenses, já tem R$ 800 milhões em ativos e 16 mil associados. Até o fim de 2017, o objetivo é conquistar 19 mil cooperados e chegar a R$ 1 bilhão em ativos.

No plano de negócios aprovado pelo Banco Central, a Unicred foi autorizada a abrir agências em Curitiba e região metropolitana, no litoral e em Ponta Grossa. Porém, nos dois primeiros anos pretende concentrar os esforços na capital, com a implantação de cinco unidades e captação de 4 mil cooperados. Paranaguá, São José dos Pinhais e Ponta Grossa viriam na sequência.

Edwin Schossland, presidente do conselho da administração da Unicred União, explica algumas das vantagens da cooperativa: “Na Unicred, você vai encontrar os mesmos serviços oferecidos pelos bancos comerciais. Porém, como não tem fins lucrativos e é administrada pelos próprios cooperados, ela pode oferecer diferenciais como taxas de juros menores e a ausência de algumas tarifas”, destaca. Além disso, há menos burocracia, e maior zelo pelo patrimônio. A cooperativa não dispõe de um banco próprio, mas mantém convênios com o Banco do Brasil, Bancoob e Bradesco para a execução de alguns processos.

Colaboração Assessoria de Imprensa.