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Crédito mostrou retração moderada no início do ano, o que é comum, diz BC

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou nesta quarta-feira, 24, que o mercado de crédito mostrou retração moderada no início do ano, o que, segundo ele, é comum para o período. "Há sazonalidade característica no início do ano, que é mais caracterizada entre as empresas e está ligada ao ciclo produtivo", explicou, acrescentando, porém, que também foi observada uma queda no segmento de Pessoas Físicas.

Gradativamente ao longo do ano, o mercado de crédito vai crescendo, conforme o técnico. Em janeiro de 2015, lembrou Maciel, o crédito recuou 0,2% na margem. "Claro que adiciona-se a isso a retração da atividade econômica", disse.

Ele salientou que também impactam esse mercado o crédito mais caro por causa da alta dos juros. Estes dois fatores, conforme ele, já vinham sendo conhecidos nos últimos meses.

Rotativo e cheque especial

Maciel afirmou que cresceu em janeiro o uso do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial. Segundo ele, tradicionalmente, as pessoas usam o 13º salário para reduzir esses débitos no fim do ano, voltando a aumentar em janeiro. Já o uso do cartão de crédito, após as compras de Natal, diminui.

Maciel ressaltou que a evolução do credito para pessoas físicas se dá em um ambiente de crescimento das taxas de juros. Em janeiro, houve alta de 1,7% nessas taxas, comparado com o último mês de 2015.

No geral, o estoque do crédito caiu 0,6%. Segundo ele, esse "comportamento de janeiro atinge créditos livre e direcionado", principalmente a pessoas jurídicas.

Inadimplência

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central previu que a tendência para os próximos meses é de elevação do nível de calote. Esse movimento é comum, de acordo com ele, em períodos de retração econômica, como está ocorrendo agora. O técnico salientou que há uma elevação maior entre as Pessoas Jurídicas do que entre as famílias.

"A inadimplência de qualquer natureza é ruim para o sistema, mas é importante que o ritmo (de aumento) é lento e permite reação do sistema", enfatizou. Segundo ele, a alta do nível de calote tem sido de forma gradual ante queda verificada da atividade. "Em ambiente de retração da atividade, você tem a componente de maior restrição, que pode se reverter em aumento da inadimplência", previu.

Maciel comentou que de janeiro do ano passado para o mesmo mês deste ano, o nível de inadimplência passou de 2,8% para 3,5% no crédito do sistema financeiro como um todo. Ele enfatizou, porém, que ainda se vê um movimento detectado nos últimos meses de aumento das renegociações das dívidas, principalmente entre as empresas.

O técnico disse que detalhes das provisões dos bancos e outras informações sobre o calote serão divulgados no Relatório de Estabilidade Financeira (REF), previsto para ser publicado no mês que vem. "O sistema mostra-se bem adequado", adiantou.

O chefe do departamento econômico afirmou ainda que as condições estão mais restritivas tanto do lado da demanda quanto da oferta. Ele disse, porém, que é "muito cedo" para falar em revisões das estimativas da autoridade monetária para o ano, que foram apresentadas no mês passado. A projeção do BC é de expansão do crédito de 7% em 2016.

Maciel comentou que a alta dos juros de mercado vista nos últimos meses responde a vários aspectos, apesar de a Selic estar estável em 14,25% ao ano desde julho. Ele citou como exemplo o próprio aumento da inadimplência e a defasagem que existe em relação ao aumento da taxa básica e a elevação que ela causa no mercado posteriormente.

Modalidades

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central afirmou que modalidades de crédito associadas ao ciclo econômico tiveram retração ou crescimento modesto no estoque. Maciel explicou que, apesar de ainda em alta, há redução no ritmo de concessões de crédito imobiliário. Segundo ele, nos últimos anos, houve uma expansão significativa na representatividade do crédito de habitação no total de crédito do País.

Sobre os juros no crédito concedido às famílias, o técnico do BC explicou que a alta é praticamente toda explicada pelo aumento das taxas do rotativo do cartão de crédito.

Maciel ressaltou ainda que a taxa de juros para empresas no âmbito do crédito livre, em 31,5%, é a mais alta da série histórica compilada pelo Banco Central.