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Dados mostram continuidade na desaceleração do mercado de crédito, diz BC

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, afirmou nesta quarta-feira, 25, que os dados de abril refletem a continuidade da desaceleração no mercado de crédito, sustentada na queda da atividade econômica. Esse movimento implica em menor demanda por empréstimos, principalmente das empresas, mas também das famílias, que estão com a renda comprometida. O elevado custo do crédito também influenciou o resultado.

O saldo total de crédito apresentou recuo de 0,6% no mês, em relação a março, a primeira queda mensal para meses de abril desde 2003. O estoque de operações de crédito do sistema financeiro ficou em R$ 3,142 trilhões. Na avaliação do dado acumulado em 12 meses, a alta de 2,7% no estoque de crédito é a menor registrada desde 2007.

Na avaliação de Maciel, uma recuperação do crédito passa necessariamente pela retomada da confiança. "Sem confiança, há aversão grande em comprometer renda futura", disse. Ele destacou que esses índices começam a ensaiar alguma reação, mas ainda em patamar bastante reduzido.

Questionado se a retomada de confiança estaria ligada à troca de governo, Maciel evitou traçar essa relação. "Eu não diria que há associação direta de confiança com este ou aquele governo", disse.

Queda na renda

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central afirmou que a queda na renda das famílias piorou o perfil do consumidor que usa o crédito rotativo do cartão de crédito. Isso levou a uma alta nas taxas de juros.

O rotativo tem a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. Em abril, a taxa ficou em 339,4% ao ano. No mesmo mês do ano passado, estava em 214,4% ao ano. "O perfil piora, a renda cai, tem retração econômica, retração de renda. Isso impõe alta de juros", explicou o técnico.

Maciel ainda apontou outros impactos da retração econômica. O crédito para a compra de veículos, por exemplo, vem caindo. "Não é de se estranhar. O crédito para a aquisição de veículos tem prazo mais longo. Num período de confiança mais baixa, você tem demanda fraca", explicou.

Outro exemplo é o crédito imobiliário, que cresceu cerca de 10% no acumulado de 12 meses até abril, mas já chegou a avançar mais de 50% em anos anteriores. Nos primeiros quatro meses deste ano, por outro lado, novos empréstimos em linhas desse tipo já acumulam queda de 42,3%.