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Desaceleração da queda no setor de serviços foi motivada pela indústria, diz IBGE

A desaceleração na queda do volume de serviços prestados na passagem de março, quando caiu 5,9% em relação a março de 2015, para abril, com recuo de 4,5% em relação a igual período do ano passado, pode ser explicada pelo desempenho da indústria, afirmou nesta quarta-feira, 15, o analista da Coordenação de Comércio e Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Saldanha. A produção industrial também desacelerou a queda na passagem de março para abril, sempre na comparação com iguais meses de 2015, de -11,4% para -7,2%.

"Os serviços estão totalmente atrelados à indústria. A indústria teve queda menor em abril do que em março. Os serviços tendem a acompanhar tendências na indústria", explicou Saldanha, ao comentar os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada nesta quarta.

Apesar disso, ainda será difícil o volume de serviços prestados fechar 2016 no azul. Nas contas de Saldanha, seria preciso que os serviços avançassem à média de 0,6% ao mês (na comparação com iguais meses de 2015) de maio a dezembro para o volume crescer zero em relação a 2015.

Serviços prestados às famílias

O analista do IBGE afirmou que "talvez o pior já tenha passado" na atividade de serviços prestados a famílias. O ritmo de queda nesta atividade caiu, de 3,8% em março para 3,0% em abril. No acumulado em 12 meses, a retração no volume ficou em 5,0% em abril, ante 5,3% em março, o que, para Saldanha, já indica estabilização ou reversão da tendência de queda, embora ainda longe de sinalizar recuperação.

Os serviços prestados a famílias são afetados por desemprego e queda na renda, lembrou Saldanha, mas essa atividade concentra os serviços mais essenciais. "No momento em que as famílias enfrentam redução no poder aquisitivo, cortam no que não é essencial. Vão reduzir seus gastos em telefonia e TV por assinatura", exemplificou Saldanha, lembrando que a universalização da TV digital contribui para essa mudança no hábito de consumo, pois a imagem da TV aberta melhorou.

A atividade de "serviços de informação e comunicação", que engloba a TV por assinatura, viu a queda no acumulado em 12 meses aprofundar de 1,8% em março para 2,1% em abril.

No mesmo sentido dos "serviços prestados às famílias", a atividade "outros serviços" também apresentou sinal de reversão na tendência de queda, afirmou Saldanha. Em março, essa atividade apresentava retração de 8,4% no acumulado em 12 meses. Em abril, o índice melhorou e chegou a -7,9%.

Jogos Olímpicos

A subatividade Serviços de tecnologia da informação (TI), dentro da atividade Serviços de Informação e Comunicação, foi a única que teve alta (1,6%) no volume de serviços prestados em abril ante abril de 2015, informou o IBGE. Mais cedo, a entidade informou que o volume de serviços prestados recuou 4,5% na mesma base de comparação.

Segundo Roberto Saldanha, alguns contratos de prestação de serviços de tecnologia da informação resultaram em crescimento no volume. Uma das explicações está na existência de contratos específicos para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.