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Devoluções derrubam resultados da Gafisa

A incorporadora Gafisa amargou ontem um dia de queda de 5,02% em suas ações na Bovespa e de muitas explicações aos investidores após a divulgação de seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre do ano. A incorporadora reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 53,227 milhões, revertendo o lucro de R$ 31,651 milhões de igual período do ano passado e de R$ 827 mil no quarto trimestre de 2015.

O principal vilão para a companhia foi a devolução de imóveis comprados na planta, operação conhecida como distrato, no jargão do setor. A empresa já vinha sofrendo com o fenômeno em balanços anteriores, mas os números divulgados ontem surpreenderam o mercado.

Os distratos no segmento dedicado aos consumidores de classe média, acima de R$ 400 mil, alcançaram R$170,3 milhões no primeiro trimestre de 2016, alta de 35% em relação ao último período do ano passado, o equivalente a 71% das vendas brutas entre janeiro e março, que totalizaram R$ 237,1 milhões.

Segundo o analista Marcelo Motta, do banco JP Morgan, o patamar de distratos é o maior de 2013. "Eu acho que o grande problema da Gafisa é que além dos resultados serem fraco, o que já era esperado, eles continuam espantando a todos."

O analista, no entanto, ressalta o bom desempenho do segmento Tenda, braço da Gafisa voltado para a baixa renda, segmento que cresce impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida. "É como se a Gafisa tivesse uma mini MRV dentro da empresa. Mas não é o suficiente para reduzir as perdas da companhia", frisa um analista.

A Tenda conseguiu gerar mais caixa do que o esperado no primeiro trimestre de 2016, com nível recorde de repasses no período. Nos três meses iniciais do ano, foram transferidas 2.037 unidades para instituições financeiras, representando R$ 266,8 milhões em vendas contratadas líquidas. Com isso, a geração de caixa líquido somou R$ 56 milhões na divisão.

No fim do dia, a agência S&P rebaixou a nota de crédito da Gafisa para transações nacionais de brBBB para brBB. Em nota, a agência destacou o impacto da recessão do País no setor imobiliário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.