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Diretor do Banco Central vê início de ano conturbado no quadro internacional

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Altamir Lopes, afirmou nesta sexta-feira, 19, que as expectativas de crescimento do PIB mundial vêm sendo reduzidas em virtude do ambiente externo complexo, com aumento das incertezas e dos riscos associados. Durante entrevista coletiva no BC de Fortaleza sobre o Boletim Regional, ele citou também que a piora na situação das economias desenvolvidas e aumento do risco de recessão nos Estados Unidos aumentam o pessimismo. "Há muito tempo não vejo um início de ano tão conturbado do quadro internacional", disse.

Altamir lembrou que as projeções no fim do ano passado para 2016 eram bem mais afáveis. "Mas o quadro do começo do ano foi totalmente distinto", afirmou. Ele citou também que a trajetória de desaceleração econômica da China tem provocado aumento da volatilidade e da aversão ao risco nos mercados financeiros internacionais, afetando a precificação de ativos, em especial daqueles de economias emergentes exportadoras de commodities.

"A China mostrou reorientação, a recuperação da economia americana não se mostrou como o esperado e isso aumenta o risco", elencou o diretor do BC, citando também o comportamento dos preços do petróleo. Ele lembrou que a expectativa era de retomada da normalização da política monetária dos EUA, e que hoje não se tem mais essa clareza sobre a atuação do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

Papel do BC

Altamir Lopes começou a entrevista coletiva em Fortaleza sobre o Boletim Regional enfatizando que o papel do BC é o de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e manter um sistema financeiro sólido e eficiente. "Este é o nosso mandato", disse.

Apesar de ser proforma, essa fala do diretor ganha peso em meio às dúvidas que haviam no mercado financeiro sobre a possibilidade de corte de juros ainda este ano. Altamir disse também que a inflação baixa e estável é precondição para o crescimento sustentável.

EUA

O diretor de Política Econômica do BC afirmou que as incertezas sobre o ritmo da normalização da política monetária nos Estados Unidos traz pressão não só para Brasil, mas para todo o mundo. O Brasil também sentirá, de acordo com ele, a forte queda dos preços do petróleo. "A queda do preço do petróleo afeta o Brasil, sim, apesar de preço ser administrado", argumentou.

Ele disse se lembrar que, quando o petróleo estava cotado a US$ 110 e se falava em preço de US$ 60, "todos estavam desesperados". "Hoje está na casa de US$ 20 e poucos", mencionou.

O diretor destacou que alguns dizem que, no Brasil, não haveria impacto porque preços dos combustíveis são administrados, mas, para ele, há impacto desinflacionário importante. Até porque, argumentou, há "toda uma cadeia" que é afetada, além e impactos nos custos também na agricultura e de insumos na indústria.