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Diretor do BCE, Mersch diz que há limites para taxa negativa de juros

Washington, (AE) - Membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Yves Mersch ressaltou novamente neste sábado que há limites na política de taxa negativa de juros. Ao mesmo tempo, a autoridade rebateu alegações de bancos comerciais de que a política do BCE prejudicou os resultados dessas instituições.

"Eu tenho sempre dito que há limites" para a política de taxa negativa de juros, disse Mersch durante um painel realizado durante um intervalo das reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington. Segundo ele, é possível ter uma taxa apenas "levemente negativa" de juros, não um aprofundamento excessivo no território negativo. Para Mersch, as avaliações sobre taxas fortemente negativas de juros "são muito mais aceitáveis na academia, mas não felizmente na tomada de decisões".

O BCE cobra dos bancos para guardar o excesso de fundos deles com uma taxa no overnight desde junho de 2014, como parte de seus esforços para impulsionar a inflação na zona do euro. Nos últimos dias, dirigentes têm ressaltado que a taxa negativa tem efeitos colaterais e também o problema que um setor bancário fraco pode representar para a retomada das economias europeias.

Em 3 de outubro, Mersch já havia dito que há limites para o ponto em que as taxas de juros baixas podem ir, de modo a não sobrecarregar o setor bancário. Na terça-feira em Madri, o economista-chefe do BCE, Peter Praet, disse que o recuo no valor das ações bancárias é uma fonte de preocupação para os banqueiros centrais, porque há "uma correlação mais forte" entre os preços das ações e o nível de empréstimos dos bancos. "Quando as ações estão baratas, um ano depois você pode ver impactos na oferta de crédito dos bancos em geral", afirmou Praet.

Mersch, porém, rebateu as reclamações de que a política do banco central prejudique os resultados do setor bancário. Em resposta a uma pergunta da plateia, ele disse que a rentabilidade não é apenas o resultado da diferença no que os bancos cobram dos empréstimos e do que pagam aos que depositam seu dinheiro. "Não é apenas uma questão de taxa de juros", apontou, lembrando ganhos dos bancos com taxas e operações.

Os bancos reclamam que as taxas de juros negativas são prejudiciais porque eles não podem repassar o custo para os correntistas, já que é quase impossível impor taxa de juros negativa para os depósitos no varejo, disse Mersch. Na avaliação dele, porém, os bancos têm, por exemplo, a opção de sair de áreas que não são rentáveis ou buscar economias de escala. "Eu acho que o quadro é um pouco mais complexo do que somente a questão de a política monetária pesar sobre a situação da rentabilidade dos bancos", afirmou. "Mas isso é parte da questão, não posso negar." Fonte: Dow Jones Newswires.