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Dívida de empresas nos países emergentes cresce e vira preocupação, diz BIS

Após quase dois anos de alertas frequentes sobre o crescente endividamento das empresas nos países emergentes, o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) subiu o tom e avisou na quinta-feira, 18, que "o elevado endividamento do setor corporativo emergente disparou o alarme". A entidade demonstra especial preocupação com a capacidade de pagamento das empresas não financeiras, em um período de desaceleração das economias emergentes, queda do preço das commodities, fortalecimento do dólar e uma possível mudança na dinâmica dos fluxos internacionais de capital.

Dados do BIS - que é uma espécie de banco central dos bancos centrais - mostram que o total da dívida do setor corporativo não financeiro de 12 grandes países emergentes - que inclui Brasil, Argentina, China, Coreia do Sul, Índia, México e Rússia, entre outros - saltou do equivalente a um patamar inferior a 60% do Produto Interno Bruto (PIB) dessas economias em 2006 para 110% no fim do ano passado.

A evolução salta aos olhos especialmente se comparado ao comportamento nas economias desenvolvidas, cujo indicador está praticamente estacionado abaixo de 90% nos últimos cinco anos.

O desempenho entre países, porém, é bastante diverso e o número amplo pode "mascarar diferenças importantes", ressalta a entidade. O BIS destaca especialmente a China, cujo endividamento corporativo não financeiro cresceu rapidamente desde 2008 e já superou 150% do PIB.

Na Coreia, o indicador gira em torno de 100%. Rússia tem cerca de 60% e o Brasil - cuja dívida também tem crescido - apresenta dívida ligeiramente inferior a 60% do PIB. A Argentina, por outro lado, tem endividamento perto de zero.

Calote

A entidade nota que essa dívida crescente pode pesar ainda mais diante do momento delicado enfrentado pelas companhias nos países emergentes. "Um número crescente de empresas tem estado mais vulnerável à inadimplência diante da desaceleração adicional no crescimento econômico e/ou pelo desenvolvimento adverso dos preços", cita o documento. Com atividade mais lenta e retração dos preços, a lucratividade das empresas cai, nota o BIS.

Esse quadro de vulnerabilidade terá um teste importante nos próximos trimestres. "Diante da programação de pagamentos crescente que se aproxima, a capacidade de refinanciamento de empresas emergentes altamente alavancadas provavelmente será testada em breve, especialmente se a alta do dólar continuar", diz o texto, ao mencionar que estimativas do BIS mostram que US$ 340 bilhões em compromissos dessas empresas vencerão entre 2016 e 2018, valor 40% maior que o registrado nos últimos três anos.

A perspectiva de mudança na dinâmica do fluxo de capital internacional teve um peso importante para o alerta sobre o endividamento das empresas de países emergentes disparado pelo BIS. Eventual mudança na dinâmica do capital pelo mundo poderia deflagrar desequilíbrios nas economias emergentes com consequências que vão do aperto nas condições de crédito até a desestabilização da dinâmica de preços.

"A economia mundial tem experimentado oscilações no fluxo de capital internacional que devem continuar", cita o relatório do BIS. Os economistas da entidade argumentam que uma das razões para isso é a divergência da política monetária entre os países desenvolvidos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.