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Dívida líquida do setor público sobe a 42,4% do PIB em julho, diz BC

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) subiu para 42,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, ante 42,0% de junho. Em dezembro de 2015, estava em 36,2% do PIB. A dívida do governo central, governos regionais e empresas estatais terminou o mês passado em R$ 2,572 trilhões. As informações, divulgadas nesta quarta-feira, 31, são do Banco Central. A instituição previa que a relação da DLSP com o PIB chegaria a 42,4% em julho.

Já a dívida bruta do governo geral encerrou o mês passado em R$ 4,214 trilhões, o que representou 69,5% do PIB. Em junho, essa relação estava em 68,5% e a previsão do BC para o resultado do mês passado era de uma taxa de 69,3%.

O então diretor de Assuntos Internacionais do BC, Tony Volpon, previu em junho que a relação dívida bruta com o PIB deve chegar a 86,5% em 2020 levando-se em conta as regras atuais. Se aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Executivo enviada para o Legislativo, é possível que esta relação esteja menor daqui a quatro anos, em 78,5%.

De acordo com o BC, a elevação na relação de dívida líquida/PIB em julho foi decorrente do impacto da incorporação de juros (+3,5 p.p.), da valorização cambial de 17,1% no período (+3,4 p.p.), do déficit primário (0,6 p.p.), do efeito do crescimento do PIB nominal (-0,9 p.p.) e do ajuste de paridade da cesta de moedas da dívida externa líquida.

Em junho, o BC apresentou suas projeções para o comportamento da dívida em 2016. Pelo cenário da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a estimativa para a DLSP/PIB em 2016 é de 44,7%. Em dezembro de 2015 estava em 36,5%. Pelo mesmo cenário, a projeção para dívida bruta/PIB em 2016 é de 73,3%.

No fechamento do ano passado estava em 66,5%. Já com o parâmetro de déficit primário de 2,25% do mercado financeiro da ocasião, a DLSP/PIB deve encerrar o ano em 44,3% e a dívida bruta/PIB, em 72,9%.

Câmbio

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, comentou que a alta de 42,0% para 42,4% da DLSP em relação ao PIB de junho para julho reflete, sobretudo, o resultado nominal do período. "O comportamento do câmbio até contribuiria para a redução um pouco dessa relação, mas não foi suficiente para se sobrepor ao resultado primário do mês", avaliou

Em junho, o déficit primário do setor público somou R$ 10,061 bilhões e, no mês passado, cresceu para R$ 12,816 bilhões. No período, o real teve valorização de 3,24%, segundo o BC. Para este mês, a expectativa é de mais um avanço, de 3,21%, mas é preciso esperar o fechamento dos negócios da quarta-feira.

Maciel apresentou a elasticidade da DLSP ante o PIB em relação às variáveis que interferem em seu resultado. No caso do câmbio, cada 1% de variação tem impacto imediato de 0,16 ponto porcentual (pp) em sentido oposto, o que equivale a R$ 9,934 bilhões.

No caso da Selic, a cada 1 pp de alteração mantida por 12 meses tem reflexo de 0,35 pp na DLSP/PIB no mesmo sentido, o que representa R$ 19,738 bilhões em valores correntes. Já cada alta ou baixa da inflação (basicamente IPCA) de 1 pp mantido por 12 meses tem impacto de 0,15 pp no mesmo sentido na DLSP/PIB, ou R$ 10,087 bilhões em valores nominais.

Agosto

Maciel afirmou que a projeção da instituição para a DLSP em agosto é de 43,4% do PIB. Em julho, o porcentual ficou em 42,4%.

Para a Dívida Bruta do Governo Geral, o Banco Central espera uma relação de 70,2% com o PIB. Em julho, foi de 69,5%. As projeções foram divulgadas durante coletiva à imprensa.