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Dólar à vista fecha a R$ 3,6473, com baixa de 2,55%, a maior em quase um ano

O dólar à vista teve nesta quinta-feira, 17, sua maior queda porcentual em quase um ano, terminando o dia cotado a R$ 3,6473, com baixa de 2,55%. Trata-se do maior recuo desde 23 de março de 2015. A divulgação de áudios com conversas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff fortaleceu apostas em um impeachment e teve influência direta sobre os negócios

Os mercados já iniciaram o dia precificando a maior chance de uma troca de governo, apoiados na grande repercussão dos áudios revelados por autorização do juiz Sérgio Moro na noite de ontem. A leitura de que a nomeação de Lula teve por objetivo apenas a obtenção de foro privilegiado trouxe a percepção de que o ex-presidente levou a Operação Lava Jato para dentro do Palácio do Planalto, por envolver a presidente Dilma Rousseff no caso.

O dólar já abriu em queda frente ao real e atingiu a mínima do dia no início da tarde, com a notícia de que o juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal do Distrito Federal, concedeu liminar suspendendo a nomeação de Lula, que acabara de ser empossado como ministro chefe da Casa Civil. Após a notícia, o dólar à vista chegou a ser negociado a R$ 3,6042 (-3,70%).

Tecnicamente, Lula ainda é ministro, mas não pode operar atos como tal, na avaliação do governo.

À tarde o Banco Central anunciou em um curto comunicado que, em função das condições atuais do atual cenário internacional, decidiu reduzir a rolagem dos contratos de swap cambial. Não foi divulgado o porcentual que passará a ser oferecido nessas rolagens parciais. A medida foi elogiada no mercado de câmbio.

Analistas ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, afirmam que o BC aproveitou a janela de oportunidade, uma vez que o dólar opera em forte baixa nos últimos dias. Com isso, o BC reduz os custos com o derivativo. Além disso, o BC ainda pode usar a redução das rolagens para regular a volatilidade do câmbio.

A medida chegou a ter impacto no mercado futuro de câmbio, levando o dólar para liquidação em abril para leilão. Após o ajuste, no entanto, o dólar manteve o ritmo de queda tanto nos mercados à vista como no futuro.