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Dólar alto favorece inversão de tendência no fluxo de trocas de pessoas físicas

A aceleração do dólar em relação ao real em meados do ano passado contribuiu para uma inversão de tendência do fluxo de recursos do Brasil com o exterior no caso de trocas feitas entre pessoas físicas. Essas trocas incluem, por exemplo, remessas de recursos para familiares que vivem em outros países. Com a alta da moeda americana, o envio de dinheiro para o Brasil ficou mais atrativo. Na outra direção, as remessas ao País encolheram.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 23, pelo Banco Central a jornalistas que participaram do anúncio dos dados do setor externo. De acordo com o chefe do Departamento Econômico da instituição, Tulio Maciel, estas informações passarão a ser atualizadas mensalmente no site da instituição.

No fim do primeiro semestre do ano passado, o dólar era cotado na casa de R$ 3,11. Três meses depois, no encerramento de setembro, passou para R$ 3,97.

Pelos dados abertos do BC, as transferências pessoais do Brasil para o exterior, consideradas despesas, estavam na casa dos US$ 100 milhões em todos os meses do primeiro semestre de 2015. A partir de agosto, passaram para US$ 98 milhões e atingiram o valor de US$ 79 milhões em outubro.

Em dezembro, pela sazonalidade do período, voltaram a alcançar a casa dos US$ 100 milhões, mas em janeiro deste ano chegaram a US$ 58 milhões. Ainda que com algumas oscilações, os envios daqui para fora do País em 2016 começaram a retomar a força nos últimos meses com a recuperação do valor do real ante o dólar.

Já as remessas mensais do exterior, que estavam acima dos US$ 160 milhões na primeira metade de 2015, passaram para a casa dos 200 milhões no segundo semestre. O mês em que as transferências pessoais de outros países para o Brasil foram maiores em 2015 foi em outubro, com um total de US$ 265 milhões.

Na primeira metade de 2016, os fluxos mensais nessa mesma direção oscilam pouco acima e pouco abaixo de US$ 200 milhões.

Nos primeiros sete meses deste ano, o resultado acumulado dos recursos que são enviados para o Brasil, um total de US$ 1,366 bilhão, não difere muito do visto de janeiro a julho de 2015, de US$ 1,343 bilhão. Nesse mesmo período de comparação, os envios do Brasil para o exterior somaram US$ 791 milhões em 2015 e US$ 648 milhões em 2016 até o mês passado.

EUA

Vale enfatizar que os EUA perderam um pouco da força com esse movimento na emissão de dinheiro do Brasil para o país, considerando todos os destinos. Desde 2010 - dado mais antigo apresentado pelo BC hoje -, os EUA eram responsáveis por cerca de um terço das transferências daqui para lá.

Em 2014, por exemplo, as transferências americanas foram de US$ 401 milhões para um total de US$ 1,375 bilhão e, no ano passado, caiu para US$ 291 milhões, de todos os US$ 1,251 bilhão enviados. Nos primeiros sete meses deste ano, a fatia dos Estados Unidos no bolo de US$ 648 milhões foi de US$ 156 milhões.

Apesar disso, os EUA são o principal destino de envios de recursos brasileiros para fora do País. Na segunda posição, bem distante, está a Bolívia, com US$ 40 milhões, e Haiti, na terceira, com US$ 39 milhões.

Na direção inversa, a participação dos recursos emitidos dos Estados Unidos para o Brasil se ampliaram. Se em 2014 eram US$ 815 milhões dos US$ 2,128 bilhões gerais, no ano passado foi de US$ 1,076 bilhão do total de US$ 2,459 bilhões. Nos primeiros sete meses deste ano, a relação está em US$ 596 milhões do total de US$ 1,366 bilhão. Na segunda posição está o Reino Unido (US$ 100 milhões), seguido por Portugal (US$ 93 bilhões).