27°
Máx
13°
Min

Dólar avança com sinais do Copom e cautela com o cenário político

O dólar avançou ante o real nesta quinta-feira, dia 1º, em meio à percepção de que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos pode diminuir até o final do ano. Enquanto o mercado já vinha analisando os sinais para a retomada do aperto monetário do Federal Reserve, o Banco Central do Brasil passou a dar sinais de que pode estar mais próximo de cortar a Selic.

O movimento defensivo no câmbio nacional foi alimentado também por incertezas que rondam o governo de Michel Temer e o apoio político necessário para que o peemedebista consiga aprovar suas medidas de ajuste fiscal.

No mercado à vista, o dólar negociado no balcão fechou em alta de 0,76%, aos R$ 3,2513. De acordo com dados registrados na clearing da BM&FBovespa, o volume de negócios somou US$ 1,111 bilhão. Já no segmento futuro, o contrato de dólar para outubro avançou 1,00%, aos R$ 3,2860, com giro de US$ 12,945 bilhões. Por outro lado, o Dollar Index, que registra a cotação da divisa dos EUA contra moedas fortes, recuava 0,40% no final da tarde.

A percepção sobre corte da Selic foi deixada na noite de quarta-feira, 31, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), quando retirou o trecho que apontava "não haver espaço para flexibilização da política monetária" de seu comunicado de decisão de juros. O BC manteve a Selic em 14,25%, patamar inalterado desde julho do ano passado.

Já nos Estados Unidos, o foco para o futuro da política monetária tem sido os indicadores econômicos e comentários de dirigentes. Nesta quinta, os dados de atividade industrial foram mistos, o que acabou enfraquecendo o Dollar Index ao indicar que a maior economia do mundo pode não estar forte o suficiente para um aperto monetário. O grande evento da semana norte-americana será o relatório de empregos, conhecido como "payroll", previsto para esta sexta-feira (2).

Outro fator que contribuiu para a alta do dólar ante o real nesta quinta foi o sequencial enfraquecimento dos preços de petróleo. Os contratos futuros da commodity têm recuado ao longo da semana e chegaram a cair mais de 3% nos últimos dois dias.