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Dólar cai a R$ 3,23 com BC afastado e entrada de capital no País

A percepção de que o Banco Central deve continuar afastado das intervenções no mercado cambial pavimentou o caminho para o segundo dia de queda do dólar. No mercado à vista, a divisa norte-americana encerrou esta quarta-feira, 29, com baixa de 2,04%, aos R$ 3,2373, menor valor desde 22 de julho de 2015, quando terminou a sessão cotado a R$ 3,2270. O volume total negociado foi de R$ 3,805 bilhões, mais que o dobro dos US$ 1,586 bilhão registrados ontem. Em duas sessões, a perda chega agora a 4,56%.

"Os comentários do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deram a entender ontem que o dólar pode ficar mais fraco como fator adicional para o controle da inflação", avaliou o economista Ignácio Crespo Rey, da Guide Investimentos.

Para o especialista, o fluxo cambial está positivo porque o Brasil está sendo visto como um emergente menos vulnerável ao Brexit e aos temores relacionados com a China. O movimento das moedas está muito ligado às expectativas, incluindo a aposta no adiamento da alta de juros nos Estados Unidos. Na visão de Crespo Rey, será difícil o Fed subir juros antes das eleições norte-americanas, que passaram a ser um risco potencial como o Brexit, que se consolidou.

A continuidade do fluxo cambial positivo no mercado à vista e a queda do Dollar Index no exterior também ampararam a baixa, segundo operadores de câmbio. O Banco Central informou hoje que de 20 a 24 de junho houve ingresso líquido de US$ 2,230 bilhões no mercado doméstico (US$ 349 milhões pelo canal financeiro e US$ 1,881 bilhão pela via comercial), ante um saldo positivo líquido de US$ 1,375 bilhão na semana de 13 a 17 desse mês. Na mínima desta quarta-feira, o dólar bateu em R$ 3,2304 (-2,25%) e, na máxima, atingiu R$ 3,2775 (-0,82%), no mercado à vista.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, disse que o real seguiu beneficiado ainda pela forte alta do petróleo e queda generalizada do dólar no exterior. Com isso, o movimento de desmonte de posições compradas manteve-se acentuado no mercado futuro paralelamente às rolagens de contratos cambiais em razão do fim de mês. "Algumas empresas estão zerando a posição comprada e podem estar fazendo novo hedge com uma taxa mais equalizada com o momento do dólar", que está em espiral de queda, avaliou.

No mercado futuro, o contrato de dólar para julho, que vence na sexta-feira (1º), recuou 2,41%, aos R$ 3,2255. O giro totalizou US$ 19,103 bilhões, ante US$ 19,427 bilhões ontem. A partir de amanhã, o contrato futuro de agosto passa a ser o mais negociado.