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‘É sofrido sair do Brasil, sentirei falta', afirma fotógrafo

Era um velho sonho do fotógrafo André Nehmad, de 42 anos, partir para Israel com a família. Proprietário de uma empresa de fotografia para eventos e produtos em São Paulo, ele e a mulher, Daniela, de 38 anos, decidiram em fevereiro sair do Brasil com os filhos Julius (11 anos) e Manuela (9 anos). Alugaram o apartamento, em Perdizes, venderam os dois carros e desfizeram-se de tudo que havia em casa, até das louças de estimação. O casal embarca na terça-feira para Tel-Aviv, via Madri.

"Vivi em Israel em 1994, quando tinha 21 anos, morei num kibutz com um programa cultural e desde então sempre planejei voltar", diz Nehmad, um apaixonado por História que vê em Israel o lugar ideal para aprofundar seus estudos. "Existe lugar com mais História que Israel?", argumenta ele, acrescentando que, além de poder explorar a riqueza arqueológica do país, estará a poucas horas de voo de Roma e das pirâmides do Egito.

Órfão desde os 8 anos, quando os pais morreram num acidente de carro, Nehmad foi criado pelos avós, sobreviventes de Auschwitz. Isso explica seu interesse pela história do Holocausto e o espírito místico de suas pesquisas. Visitou todos os antigos campos de concentração, na Alemanha e no Leste Europeu, sempre se perguntando por que ocorreu aquela tragédia em que morreram milhões de judeus, mas também ciganos e prisioneiros de outros países, como poloneses, russos e checos. Nehmad e Daniela são religiosos tradicionalistas, como se definem, que guardam o sábado e frequentam a sinagoga. Seus filhos estudaram em escola judaica.

"Como piorou a situação econômica no Brasil, juntamos essa circunstância a outras razões para nos mudarmos para Israel", diz Nehmad. Daniela aceitou logo a proposta do marido, mas a mudança não está sendo fácil para os filhos. Eles se assustam com o futuro desconhecido e sentem a separação de colegas e amigos. Daniela e Nehmad conversaram muito com Julius e Manuela, mostrando as vantagens da mudança, a começar pela excelência da educação que vão ter.

O casal vai morar com os filhos em Raanama, a 15 minutos de Tel-Aviv e bem perto do mar. Nehmad já tem serviço tratado, fotografar uma cerimônia de Bar Mitzvah, para dois dias depois de chegar. Ele está levando todo seu equipamento fotográfico para continuar com a empresa em atividade. Daniela vai trabalhar com ele, até conseguir alguma coisa em publicidade, a sua área.

"É sofrido sair do Brasil, porque sei que sentirei falta desse povo alegre, dos colegas e amigos", admite Nehmad, diante de um sorriso triste de Daniela, que compartilha a mesma sensação. O casal pretende voltar a São Paulo uma vez por ano, ou a cada um ano e meio, para rever os parentes. "O processo foi simples, estamos realizando um sonho, mas a decisão foi difícil", diz o fotógrafo, garantindo que não deixará de ser brasileiro.

Medo do novo

Nehmad e Daniela têm amigos em Israel, judeus brasileiros que vão ajudá-los a se adaptar. Um deles é Martin Teitelbaum, de 41 anos, que vive em Raanama com a mulher, Michele, e três filhos, desde 2010. Formado em administração, Martin trabalha numa empresa de trading internacional e Michele abriu um berçário, depois de ter trabalhado como manicure em casa.

A família adaptou-se muito bem, embora as crianças, então com 7, 5 e 2 anos de idade, tenham sentido a mudança. Hoje, estão bem integrados. Raanama, de 90 mil habitantes, tem uma colônia de 80 famílias brasileiras, oito vezes mais que cinco anos atrás.

"O medo do novo e deixar os parentes longe são os dois desafios que tem de enfrentar quem se muda para cá", diz Martin, com base em sua experiência. Ele e Michele já voltaram e pretendem vir outras vezes ao Brasil, mas não é uma viagem fácil, por causa do custo das passagens e dos compromissos profissionais.

O casal fala das dificuldades da adaptação com os amigos, mas insiste nas vantagens de Israel. "A qualidade de vida é ótima e a segurança é muito grande, apesar da imagem que se tem no exterior, por causa de atentados e atos de terrorismo", observa Martin. Boa educação para os filhos e uma assistência de saúde acessível são outros argumentos que ele e Michele usam para animar quem pretende viver em Israel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.