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Efeito base de comparação ajudou a amenizar queda no PIB, diz IBGE

A redução no ritmo de queda do PIB brasileiro ante o trimestre imediatamente anterior teve influência do efeito base de comparação, afirmou nesta quarta-feira, 1º de junho, a gerente das Contas Nacionais Trimestrais no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Claudia Dionísio.

Segundo ela, como PIB vinha de recuos acentuados, a queda registrada no primeiro trimestre foi menor, apesar da disseminação de taxas negativas entre os setores investigados. No entanto, ela afirma que não houve melhora ou qualquer reversão de tendência.

"O resultado permanece negativo. Não houve mudança no cenário macroeconômico", declarou Claudia, citando os patamares ainda elevados da inflação e dos juros ao consumidor.

A pesquisadora apontou, porém, que houve redução no ritmo de queda de componentes importantes, como a indústria, comércio e serviços.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a indústria saiu de queda de 1,6% no quarto trimestre de 2015 para recuo de 1,2% no primeiro trimestre de 2016; o comércio passou de -2,6% para -1,0% no período; e os serviços saíram de -1,5% para -0,2%.

Importações e exportações

Na avaliação da coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a maior contribuição positiva do setor externo para o PIB no primeiro trimestre do ano vem mais da queda da importação que do aumento da exportação. Ela explicou que importações e exportações têm o mesmo peso no PIB.

"Como o volume de importações caiu bem mais, a maior contribuição positiva é pela queda na importação e não pela alta na exportação", disse Rebeca.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, as exportações subiram 13%, enquanto as importações caíram 21,7%. Embora as exportações tenham avançado, o IBGE destacou que isso ocorreu com bens, mas houve queda na exportação de serviços, sobretudo em transportes. Ainda assim, a prestação internacional de serviços pesou mais, segundo Rebeca, na queda das importações na comparação do primeiro trimestre com igual período de 2015.

Serviços

A queda de 3,7% no PIB do setor de Serviços, na comparação entre o primeiro trimestre de 2016 e o mesmo período do último ano, foi impactada pela queda na atividade do comércio (10,7%), tanto no atacado quanto no varejo, e também pela retração no setor de transportes (7,4%), sobretudo no segmento de cargas - reflexo da menor atividade econômica interna.

Também houve contribuição negativa do setor de serviços de informação (-5%), referente a serviços de telecomunicações, internet e audiovisual. Como o peso do setor de serviços chega a 72% na economia, o resultado foi determinante para o desempenho do PIB no período. "Como Serviços pesa mais de três vezes em relação à indústria dentro da economia, acaba que ele é que tem maior contribuição negativa", explicou Claudia Dionisio.

Queda na indústria

A queda de 7,3% no desempenho da indústria no primeiro trimestre de 2016, em comparação com o mesmo período de 2015, decorre da redução da produção de petróleo e minério de ferro no País no período. No primeiro trimestre deste ano, houve parada para manutenção de plataformas produtoras da Petrobras, além de uma maior redução da produção de minério de ferro.

"O setor extrativo mineral acentuou a queda, em função de um aumento da diminuição de extração de minério de ferro, que caiu mais do que a produção de petróleo. Mas o petróleo pesa mais. No quarto trimestre de 2015, a produção de óleo estava com estabilidade mas nesse trimestre apresentou queda com parada programada para manutenção de plataformas", completou Claudia Dionisio.

Indústria da construção

A queda de 6,2% no PIB da indústria da construção no primeiro trimestre de 2016 ante igual período de 2015 foi puxada tanto pela área de infraestrutura quanto pelo segmento imobiliário, explicou Rebeca Palis.

O órgão não calcula o desempenho individual desses segmentos, mas consegue detectar quais foram as principais contribuições. "A infraestrutura puxa mais, pois tem peso bastante relevante e tem puxado para baixo. Mas a parte imobiliária também está sofrendo", explicou.

Consumo das famílias

A acentuada magnitude de queda da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) ajudou a puxar ainda mais o desempenho do PIB brasileiro para baixo, mas o consumo das famílias pesa três vezes mais que os investimentos, ressaltou Rebeca Palis. "O consumo das famílias sempre é o que mais determina o desempenho da economia", lembrou.

No acumulado de quatro trimestres encerrados no primeiro trimestre de 2016, o consumo das famílias recuou 5,2%; a FBCF caiu 15,9%; e as importações de bens e serviços diminuíram 18,3%. Todos tiveram o pior resultado da série histórica, iniciada em 1996.

A FBCF é a operação das Contas Nacionais que registra a ampliação da capacidade produtiva futura de uma economia por meio de investimentos correntes em ativos fixos, ou seja, bens produzidos factíveis de utilização repetida e contínua em outros processos produtivos por tempo superior a um ano sem, no entanto, serem efetivamente consumidos pelos mesmos.

Crédito caro e inflação

Na comparação do PIB do primeiro trimestre de 2016 com os três primeiros meses de 2015, a aceleração da inflação e a alta da taxa básica de juros (a Selic, hoje em 14,25% ao ano) contribuíram para a queda de 6,3% no consumo das famílias, informou o IBGE.

A inflação média do primeiro trimestre de 2016 ficou em 10,1% pelo IPCA, contra 7,7% em igual período de 2015. "A taxa já era alta, agora acelerou mais", disse Claudia Dionísio.

Já a taxa Selic, segundo o IBGE, alcançou média de 14,3% no primeiro trimestre de 2016, ante 12,1% no primeiro trimestre de 2015.

Necessidade de financiamento

De acordo com a abertura dos dados do IBGE, a necessidade de financiamento da economia brasileira alcançou R$ 32,9 bilhões no primeiro trimestre de 2016. O montante é menor do que os R$ 72,8 bilhões que foram necessários em igual período do ano passado.

Segundo Claudia Dionísio, a redução do déficit externo de bens e serviços foi a principal razão para a diminuição na necessidade de financiamento. De acordo com o órgão, o déficit na área ficou em R$ 0,2 bilhão entre janeiro e março deste ano, contra R$ 50,3 bilhões em igual período do ano passado.

"Houve redução de R$ 50,1 bilhões no déficit externo de bens e serviços, e isso é o que explica a redução da necessidade de financiamento", disse Claudia.

A necessidade de financiamento só não foi ainda menor porque o envio de renda líquida para o exterior aumentou em R$ 11,6 bilhões, para R$ 35,9 bilhões no primeiro trimestre de 2016. Essa conta inclui a remessa de lucros e dividendos e também o pagamento de juros, segundo o IBGE.

Já as transferências líquidas recebidas do resto do mundo aumentaram em R$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre de 2016 ante igual período do ano passado, informou o órgão. Com essa alta, a conta totalizou R$ 2,7 bilhões nos três primeiros meses deste ano.