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Eleições e Olimpíadas devem segurar venda de papéis

Depois de um ano de queda, tanto na produção quanto nas vendas de papel no Brasil, o setor espera um 2016 com, pelo menos, estabilidade em relação a 2015. Isso se deve, no entanto, a fatores específicos, como Olimpíadas e eleições municipais. No ano passado, enquanto a produção de celulose cresceu 4,5%, a de papel recuou 0,5%, puxada pela baixa em papel imprensa, de 7,6%, e de imprimir e escrever, de 4,8%, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). As vendas no Brasil tiveram comportamento ainda mais negativo: de -4,6% no geral e de -11,5% em papéis de imprimir e escrever.

Nilson Cardoso, diretor comercial da International Paper (IP), diz que a demanda por papel de imprimir e escrever tem caído nos últimos anos em todo o mundo, diante da entrada de substitutos, como o livro eletrônico. No Brasil, no entanto, o recuo é agravado pela desaceleração da economia. "O consumo de papel está ligado à economia. Como está desafiador (no Brasil), com queda do PIB (Produto Interno Bruto), a demanda ficará igual a 2015, em torno de 1,3 milhão de toneladas", disse. Um dos focos da IP no Brasil é em papéis para imprimir e escrever.

Segundo Cardoso, as vendas no País devem ficar estáveis em 2016 por conta de alguns eventos específicos deste ano, como Olimpíadas e eleições municipais, além de distribuição de livros didáticos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

Vitor Paulo de Andrade, presidente do conselho diretor da Associação Nacional dos Distribuidores de Papel (Andipa), enfatiza que a crise econômica brasileira e a entrada de eletrônicos têm atingido o setor de papel, de forma geral. Em 2016, contudo, Andrade também acredita em menor impacto com eleições e Olimpíadas. "Acho que neste ano a queda será menor, mas ainda terá", disse.

No longo prazo, contudo, a multinacional de origem norte-americana aposta na América Latina, de acordo com Cardoso. "Embora o consumo de papel caia 2% nos Estados Unidos e na Europa, em outras regiões cresce, como na Ásia, África e América do Sul. Cresce o suficiente para fazer com que o consumo mundial avance 1% ao ano", disse.

Para demonstrar esse potencial, Cardoso informa que nos Estados Unidos o consumo per capita é de 24 kg de papel, enquanto no Brasil é de 6kg. São Paulo fica um pouco acima da média nacional, entre 13kg e 14 kg por pessoa ao ano. "Ainda há uma necessidade básica por papel", disse o diretor da International Paper, que complementa que a demanda anual por papel de imprimir e escrever no Brasil foi de 1,3 milhão de toneladas, enquanto a capacidade total de produção das fábricas é de 2,2 milhões de toneladas. A International Paper tem capacidade de produção de 1 milhão de toneladas.

Preços

A indústria de papel também é afetada, segundo Andrade, da Andipa, pelos aumentos nos preços da celulose e em alguns tipos de papel, como o cut size e o off set, cujas altas foram de cerca de 24% no início de 2016. "Teve aumento de preços muito elevado neste ano, principalmente com celulose e dólar. É algo preocupante, mas é a realidade", disse.

No início de fevereiro, a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional) chegou, inclusive, a enviar uma carta aos dirigentes da indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e Associação Nacional dos Distribuidores de Papel (Andipa) manifestando a preocupação do setor gráfico com as altas, de 24,3% no papel cut size e de 23,8% no off set, segundo aumentos realizados pela Suzano Papel e Celulose. Do insumo celulose, tanto a Suzano como a Fibria realizaram quatro aumentos no ano passado, de US$ 20 por tonelada cada.

Nilson Cardoso, da International Paper (IP), disse que a empresa não divulga os reajustes aplicados neste ano no preço do papel, mas explicou que ocorrem como forma de correção da inflação, dos aumentos no custo com energia elétrica, de insumos químicos dolarizados e de equipamentos. "Os clientes estão cientes da correção de preços".