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Eletrobras é suspensa em Nova York e governo prepara capitalização de R$ 4 bi

A Eletrobras teve suspensa na quarta-feira, 18, a negociação de ações no pregão da bolsa de Nova York (Nyse). Desde abril do ano passado, a Securities and Exchange Commssion (SEC, o órgão regulador e fiscalizador do mercado de capitais nos Estados Unidos) cobra da empresa a entrega dos balanços auditados de 2014 e 2015. Depois de três prorrogações, foi determinada a suspensão, o primeiro passo para a "deslistagem" dos papéis da bolsa americana, etapa que deve demorar de dois a três meses. Nesse período, a empresa só pode ter suas ações negociadas em balcão.

A medida deve forçar o Tesouro a fazer uma capitalização de aproximadamente R$ 4 bilhões na Eletrobrás, segundo apurou o Estado. O recurso vai recompor o caixa da empresa para fazer frente à provável fuga de investidores. Segundo uma fonte ligada ao comando da companhia, o valor ainda não está totalmente fechado, mas as estimativas iniciais apontam que este montante seria suficiente. A capitalização pode ocorrer em dois meses.

Pouco antes da divulgação do comunicado da Nyse, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo está olhando "com detalhe" a situação financeira da Eletrobras e estuda estimativas para o tamanho da capitalização que será necessária à estatal.

"Como em todos os demais casos, temos de adotar uma estimativa realista para a Eletrobras. Temos um grupo de trabalho na Fazenda, com Ministério de Minas e Energia e outras áreas do governo, para olhar com detalhe a empresa. Em um determinado momento, temos de fazer uma estimativa de qual é a necessidade provável de capitalização", disse Meirelles.

A confusão financeira da Eletrobras na bolsa americana tem origem na Operação Lava Jato. Desde 10 de junho de 2015, o escritório independente Hogan Lovells investiga possíveis irregularidades em sociedades e obras tocadas pela Eletrobras, por conta das denúncias apuradas pela Polícia Federal. Como o escritório se depara a cada momento com algo suspeito, pede novas informações, o que demanda novas análises.

Sem a conclusão das investigações e, principalmente, seus reflexos nas contas da Eletrobras, a empresa de auditoria KPMG se nega a aprovar o balanço da empresa sem ressalvas, condição exigida no mercado americano para manter a ação listada na bolsa. As contas preliminares do governo indicam que a dívida total da Eletrobras ultrapassa a casa dos R$ 40 bilhões. A maior parte dessa dívida, porém, está atrelada a financiamentos tomados com bancos públicos, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa.

Colaboraram Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues, Rachel Gamarski, Fernanda Guimarães e Luciana Collet

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.