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Em 3 meses, controle de gastos rende o dobro de economia e permite investir mais

Acompanhar os gastos mais de perto pode ajudar a reduzir despesas e até dobrar o valor poupado por mês. Um estudo feito a partir dos dados do aplicativo de controle financeiro GuiaBolso mostra que, em um grupo de 22 mil usuários ativos, a fatia poupada por mês é mais que duas vezes maior do que a economizada por esse mesmo grupo antes do uso frequente da plataforma. O impacto foi visto já no terceiro mês de uso da ferramenta, que faz um balanço dos ganhos e dos gastos para mostrar ao usuário como está sua situação financeira.

Além disso, o valor mensal investido em aplicações cresceu 33% em três meses e, entre os usuários endividados, um a cada quatro deixou de recorrer ao cheque especial.

O diretor executivo do GuiaBolso, Thiago Alvarez, explica que o simples acesso frequente à plataforma - que hoje conta com mais de 2,4 milhões de usuários - já é suficiente para ter uma visão mais precisa do fluxo financeiro. "As pessoas costumam superestimar a sua renda, pois geralmente fazem cálculos com base no salário bruto ou, no caso de trabalhadores autônomos, não têm um controle rígido dos ganhos e dos gastos."

Desde os simples até os mais sofisticados, os aplicativos de controle financeiro podem ajudar o consumidor a fechar o mês no azul, mas apenas esse tipo de ferramenta não basta. O coordenador do Laboratório de Finanças do Insper, Michael Viriato, afirma que o mais importante é identificar o que faz uma pessoa gastar mais do que ganha.

Assim, o primeiro passo é fazer um planejamento financeiro, seja com a ajuda de um profissional ou não, e respeitar os objetivos estabelecidos: "O aplicativo serve para a pessoa verificar se o plano que ela fez está indo na direção correta", diz.

Viriato aconselha cortar hábitos que levam ao gasto excessivo, como o uso de cartões para compras de menor valor: "Muitas pessoas gastam mais do que podem porque usam cartões de crédito ou débito. Assim, fica mais difícil ver o dinheiro indo embora", explica. Para o professor, o ideal é estipular uma quantia máxima semanal para usar nesse tipo de compra.

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O acompanhamento das finanças rendeu à programadora Marcella Caffer um gasto menor com beleza, entretenimento e alimentação fora de casa.

A jovem de 25 anos faz parte de um grupo de cerca de 14 mil usuários do GuiaBolso que, em junho, destinou a bares e restaurantes uma fatia do orçamento 22,6% menor do que a consumida por quem começou a usar a plataforma no mês anterior. Nas compras em geral, quem usou o aplicativo com frequência entre janeiro e junho gastou 25,9% menos e, em serviços, o impacto foi 9,6% menor.

Marcella, que faz trabalho extra para complementar a renda, conta que o seu objetivo é economizar para comprar um carro. "Separo quantias para investir, pagar as contas e para gastos correntes", afirma.

"Para qualquer tipo de planejamento financeiro, é preciso entender quanto dinheiro entra, quanto dinheiro sai e se há alguma sobra. Se essa sobra for positiva, a questão é como investir esse valor; se negativa, é como pagar com a menor dívida possível", diz Eduardo Forestieri, diretor do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Ele afirma ainda que, no Brasil, a literatura escassa sobre o assunto e aspectos culturais, como a falta de diálogo sobre o tema, prejudicam o melhor controle financeiro da população.

Além das opções tecnológicas, associações e universidades oferecem cursos de educação financeira.

A Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais (AJMC) começou este ano um programa-piloto com alunos do Complexo Educacional FMU, em São Paulo. Os estudantes foram treinados para atuar como influenciadores em suas comunidades: "A ideia é expandir o projeto também para empresas", diz Caio Cordeiro, presidente da associação.

A universidade também oferecerá em setembro uma oficina presencial sobre finanças pessoais aberta para a população. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.