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Em ata, Copom vê agora moderação do crédito e não mais 'expansão moderada'

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vê agora um cenário de moderação do crédito. Ata da última reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira, 5, retirou a palavra "expansão" para falar do cenário moderado do crédito. Na avaliação do colegiado, o cenário de moderação do crédito tende a persistir. A ata reafirma que, após anos em forte expansão, o mercado de crédito voltado ao consumo passou por moderação. O Copom manteve a avaliação de que é preciso reforçar as iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

A Ata reafirma também que o ainda elevado patamar da inflação em doze meses é reflexo dos processos de ajustes de preços relativos ocorridos em 2015, bem como do processo de recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, e que fazem com que a inflação mostre resistência.

De acordo com o documento, o Copom diz que a política monetária "pode, deve e está contendo" os efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços da economia verificados em 2015.

Déficit primário

Após o pedido do governo ao Congresso Nacional por uma nova meta fiscal para 2016, o Comitê de Política Monetária (Copom) passou a considerar um déficit primário do setor público para este ano maior ainda do que o admitido pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Na Ata da última reunião, a autoridade monetária já enxerga um resultado negativo equivalente a 1,6% do PIB até dezembro, enquanto a Fazenda reconhece um rombo de até 1,54% do PIB. No fim de março, Barbosa havia detalhado que o déficit máximo no setor público consolidado - incluindo Estados e municípios - seria de R$ 96,150 bilhões este ano.

Para fazer as suas projeções, o Copom reforça que já considerou as deduções previstas nos projetos de orçamento deste e do próximo ano. Por isso, o BC também alterou a projeção para 2017 de um superávit de 1,3% do PIB para um déficit de 0,9% do PIB no próximo ano, novamente um pouco acima da estimativa da Fazenda. Na metade de abril, Barbosa admitiu um déficit de até R$ 65 bilhões no próximo ano no projeto de lei orçamentária enviada ao Congresso, o equivalente a 0,86% do PIB.

Com as mudanças de parâmetros, o Banco Central alterou totalmente a sua avaliação sobre os impactos do balanço do setor público na dinâmica inflacionária. Até a ata anterior, o colegiado dizia que o resultado fiscal estrutural "tendia a se deslocar para a zona de neutralidade" e não descartava a hipótese de "migração para a zona de contenção". Agora, o Copom é direto ao dizer que o balanço do setor público encontra-se em zona expansionista.

O colegiado repetiu ainda que as indefinições e alterações significativas na trajetória de geração de resultados primários, bem como na sua composição, impactam as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação e contribuem para acentuar a percepção negativa sobre o ambiente macroeconômico, além de impactarem negativamente as expectativas de inflação.

Dólar

Na ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) informou que mudou sua premissa para o câmbio de R$ 3,95 da ata anterior para R$ 3,55 para formar seu cenário de referência. No Relatório Trimestral de Inflação de março, a cotação usada pelo colegiado era de R$ 3,70.

Apesar da baixa, o novo valor considerado para o dólar está ligeiramente acima do negociado no dia em que o colegiado decidiu manter a Selic de 14,25% ao ano mais uma vez. Na quarta-feira passada, o dólar à vista fechou em baixa, a R$ 3,5247. Já a moeda para maio caiu para R$ 3,5305 no mesmo dia. A utilização de uma referência mais baixa para o câmbio vinha sendo recorrente nos documentos do Banco Central durante o período de alta da moeda americana. O movimento, no entanto, se inverteu.

O realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais - via alta do dólar - vinha sendo apontado pelo BC como um dos principais fatores de pressão para a inflação no curto prazo ao longo de todo o ano passado, ao lado do ajuste de preços administrados ou monitorados pelo governo. Agora, com o recuo das taxas, o BC tem deixado de fazer as rolagens de contratos de swap cambial e, durante um tempo, chegou a colocar no mercado swaps cambiais reversos.