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Em carta à Latam, mecânicos se dizem preocupados com precarização da mão de obra

Em carta enviada à Latam Airlines, os sindicatos dos aeroviários de Guarulhos, Porto Alegre, Pernambuco e Campinas, em conjunto com o Sindicato Nacional dos Aeroviários, manifestaram preocupação quanto às condições de trabalho da mão de obra e os possíveis impactos que a precarização pode trazer à segurança de voo.

No documento, as entidades se dizem especialmente incomodadas pela tentativa de substituição de pessoal técnico, com licença para trabalhar em aviões, por encarregados de operação de plataforma. Segundo os sindicatos, tal ação teria como finalidade a diminuição dos custos de manutenção.

A carta ainda desaprova projetos que visam "precarizar as relações de trabalho", entre eles uma proposta que visa a eliminação da inspeção do mecânico quando o avião está em trânsito e um plano de diminuição dos postos de trabalho, que simplificaria as atividades do mecânico.

Os sindicatos também alertam sobre supostas pressões sofridas por alguns mecânicos, que teriam recebido cobranças relacionadas ao tempo gasto para o reparo das aeronaves. "Essa pressão pode desencadear, em razão da forte cobrança e estresse, falhas na manutenção", diz o documento.

As entidades lembram que, em 11 de julho, um mecânico da Latam morreu em decorrência de um acidente de trabalho ocorrido no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

"O pessoal de manutenção, representado pelos nossos sindicatos filiados, vê com preocupação determinadas ações, que desrespeitam os dispositivos e regulamentações de cada país e, muitas vezes, as regras internas da própria empresa", escrevem os mecânicos.

"Alertamos que a política de segurança de voo da LATAM está severamente prejudicada por essas políticas de redução de custos de manutenção, já em vigência em alguns países, e em vias de implementação em outros."

Procurada, a Latam Airlines afirma que a segurança é um "valor inegociável" e que as otimizações de custos que a companhia vem realizando não colocam em risco a operação. "A empresa, portanto, desmente veementemente qualquer informação que possa contrariar esta premissa", diz a companhia em nota, em resposta aos questionamentos do Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.