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Em reestruturação, JBS terá empresa listada na Bolsa de NY e sede na Irlanda

O frigorífico JBS propôs na quarta-feira, 11, uma reestruturação societária que prevê a criação de uma nova empresa com sede na Irlanda e listada na bolsa de valores de Nova York. Batizada de JBS Foods International, a companhia vai incorporar os negócios do JBS S/A no exterior e a Seara Alimentos. As unidades de carne bovina no Brasil, biodiesel, colágeno, a transportadora do grupo e a divisão global de couros permanecem sob a estrutura do JBS S/A, que passará a se chamar JBS Brasil.

Na nova estrutura, a JBS Foods International vai incorporar negócios com faturamento de cerca de US$ 35 bilhões, como o frigorífico irlandês Moy Park e americana Pilgrim's Pride. Já a JBS Brasil terá sob seu guarda-chuva cerca de R$ 30 bilhões.

De acordo com o presidente mundial do JBS, Wesley Batista, a empresa estuda há um ano uma reorganização societária para "refletir melhor o que o JBS se tornou". "Hoje, a nossa operação é de uma empresa global, mas a nossa estrutura societária não reflete isso", explicou Batista. "Essa reestruturação vai colocar o JBS em uma posição de competir globalmente com players de alimentos no mercado global."

Com a criação da nova empresa, o JBS terá acesso a mais recursos financeiros, de acordo com Batista. Ele afirmou que alguns investidores estrangeiros conhecem bem a operação da JBS no exterior e querem investir na empresa, mas não podem, por questões estatutárias, ou não têm interesse em investir nas operações do Brasil. "A reorganização nos dará acesso a uma base mais ampla de investidores. Vamos ter acesso ao mercado de dívida a um custo melhor", disse Batista.

Controle

A operação não prevê mudança no controle das companhias ou uma capitalização. Os acionistas da JBS S/A terão a opção de trocar suas ações na empresa brasileira por papéis da companhia que será listada na bolsa americana. Essa operação será limitada para que a JBS no Brasil mantenha 25% do seu capital em circulação na bolsa de valores. A nova empresa irlandesa também terá BDRs (títulos de empresas estrangeiras) na bolsa brasileira.

Questionado sobre a escolha da Irlanda como sede, Batista disse que "ser uma companhia irlandesa listada na Nyse é o que melhor hoje reflete o que várias companhias ao redor do mundo têm feito".

O executivo afirmou ainda que a decisão não foi uma decisão tomada para buscar benefícios tributários. "Não temos um estudo e uma análise específica (sobre o impacto da reestruturação no custo tributário). Entendemos hoje que o impacto é neutro", afirmou Batista. A Irlanda é um dos países desenvolvidos com menor carga tributária cobrada das empresas (cerca de 12,5%) e diversas companhias multinacionais têm estabelecido suas sedes na Europa no País para pagar menos impostos.

Batista também disse que a operação não foi desenhada em decorrência da atual crise política e econômica no Brasil. Ele admite, no entanto, que com a perda do grau de investimento pelo Brasil, a empresa será beneficiada com a criação de uma estrutura que aumenta suas possibilidades de captar dinheiro no exterior.

Transição

A nova estrutura societária depende de aprovações do conselho de administração da empresa, e de acionistas, credores e órgãos reguladores. A previsão de Batista é que a mudança societária seja concluída no quarto trimestre deste ano.

As mudanças não implicam em transferências operacionais e mantêm as decisões globais da empresa no Brasil, destacou o diretor de Relações com Investidores da companhia, Jerry O'Callaghan.

Recentemente, a JBS anunciou uma reestruturação na sua estrutura de gestão. A empresa passou a ter líderes globais paras as áreas de marketing e inovação, operações, novos projetos e estratégia e desenvolvimento corporativo. O ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar e antigo consultor externo da empresa, Enéas Pestana, foi contratado em fevereiro como presidente do JBS na América do Sul.

De acordo com Batista, a reorganização das funções executivas era parte de um projeto maior de adequar a estrutura da JBS para a de uma companhia brasileira, mas com operações multinacionais. A reestruturação societária seria mais uma etapa desse processo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.