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Em sessão volátil, juros terminam em queda, com Lula ministro e Fed 'suave'

(Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula) - Em sessão volátil, juros terminam em queda, com Lula ministro e Fed 'suave'
(Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula)

Após passarem boa parte da sessão pressionados para cima pela confirmação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o novo ministro-chefe da Casa Civil, os juros futuros de longo prazo passaram a cair nesta quarta-feira, 16, após a divulgação nos EUA do comunicado do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc), inesperadamente "suave". Contudo, no final da sessão, o contrato para janeiro de 2021, o mais líquido entre os longos, fechou na mesma taxa do ajuste de ontem. Os curtos, ao contrário, permaneceram em baixa desde a abertura dos negócios.

Ao término da sessão regular, o DI julho de 2016 fechou em 14,045%, de 14,070% no ajuste de ontem, e o DI janeiro de 2017 em 13,75%, de 13,87%. O DI janeiro de 2018 terminou em 13,79%, de 13,82% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2021 ficou estável em 14,60%.

Na avaliação do mercado, Lula agora ministro teria carta branca da presidente Dilma para promover eventuais mudanças na política econômica, o que traz volatilidade ao mercado financeiro. Por ora, o mercado precifica um risco maior de adoção de medidas heterodoxas como uma queda forçada na taxa de juros e uso das reservas internacionais. Por isso, pela manhã, enquanto os juros curtos recuavam, os longos subiam. A precificação de corte da Selic já no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) no final de abril surgiu com mais força na sessão de hoje. Além disso, agora Lula tem foro privilegiado nas investigações da Operação Lava Jato e no caso do tríplex, o que tende a retardar, na leitura dos investidores, o processo de impeachment da presidente Dilma.

Adicionalmente, o mercado passou a especular sobre uma possível saída do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que, segundo fontes, estaria contrariado com a pressão para reduzir juros e para utilizar as reservas cambiais. Também circularam rumores de que, com Lula no ministério, o ex-presidente do BC Henrique Meirelles poderia assumir um posto dentro da equipe econômica, retomando a parceria "que deu certo" entre 2003 e 2010.

Com a sessão regular já fechada, a presidente Dilma, em entrevista coletiva, disse que "Lula tem compromisso com a estabilidade fiscal e controle da inflação" e tratou o uso das reservas internacionais como "especulação". "Continuamos firmes, tranquilos e seguros com nossas reservas internacionais", disse a presidente. Garantiu, ainda, Tombini e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, em seus respectivos cargos. "Nem Barbosa nem Tombini estão saindo do governo, eles estão mais dentro que nunca", destacou.

Antes de Dilma, porém, os longos passaram a cair com o desfecho da reunião de política monetária nos EUA, seguida de entrevista da presidente do Fed, Janet Yellen. O Fed manteve inalterados os juros na faixa entre 0,25% e 0,50%, mas trouxe revisão para baixo nas estimativas para os juros no curto e longo prazos. Pela mediana das projeções do Fed, haverá apenas duas altas de juros pela instituição durante este ano, não mais quatro como apontavam as projeções anteriores, de dezembro. Além disso, os diretores afirmaram que a economia global e desenvolvimentos financeiros continuam apresentando riscos e que a inflação melhorou, mas permanece baixa no curto prazo.